ENEM 2002 - O direito de votar

Enviada em 21/10/2020

Rousseau, um dos mais famosos filósofos do movimento iluminista, no final do século XVIII foi duramente criticado por ser um dos únicos pensadores a apoiar abertamente a democracia e defender que a vontade geral deveria vir antes do interesse individual e, com isso, foi considerado o pai da democracia moderna. Além disso, era a favor também do direito ao voto, não o universal, mas para os homens, o que, naquela época, foi um grande avanço e deu a Jean-Jacques uma má fama em vida e, depois de sua morte, uma admiração por parte dos jacobinos na Revolução Francesa em 1789.

Já no Brasil, o processo do direito ao voto ocorreu de forma ainda mais lenta, tendo em vista que no século XVIII o território ainda era uma colônia portuguesa. Em 1891, já com a República proclamada, os brasileiros puderam votar pela primeira vez, elegendo o paulistano Prudente de Morais, mas esse primeiro sufrágio excluía mulheres e analfabetos que eram a maioria da população na época. Logo depois, com a instauração da Política do Café com Leite, que alternava a presidência da recém-república entre mineiros e paulistanos, os poucos brasileiros que votavam perderam ainda mais a liberdade de escolha com o conhecido voto de cabresto. Com tantas inconstâncias e exceções no processo eleitoral desde o início da república brasileira, o eleitor era acostumado com inúmeras fraudes, o que foi gerando um sentimento cada vez maior de desconfiança no processo eleitoral e nos candidatos aos mais diversos cargos que se perpetua até os dias atuais.

Em 1932, já na Era Vargas, as mulheres, depois de muita luta, conquistaram o sufrágio, porém só puderam exercê-lo no fim do Estado Novo. Os analfabetos, entretanto, conseguiram esse direito apenas com a Constituição de 1988, que também tornou o voto obrigatório para pessoas com mais de 18 anos de idade e facultativo entre 16 e 17 anos, após o duro Regime Militar e as manifestações que ocorriam por todo o país como o movimento das Diretas Já, que exigia a volta das eleições diretas para os cargos políticos e o fim da violenta ditadura que o país enfrentava, a República Federativa Brasileira, então, não teve tempo para mostrar à população o quão importante o voto consciente é, tendo em vista que passou um longo período oscilando entre repressão e pouca liberdade política. É comum, então, que grande parte dos brasileiros levem o voto apenas como um dever e não como um direito.

Portanto, para que os brasileiros vejam o sufrágio como um meio para promover as transformações sociais que o Estado tanto precisa, o governo deve, por meio do Ministério da Educação, incentivar as escolas a implementarem um estudo mais aprofundado na conturbada história da política brasileira, mostrando cada vez mais para crianças, adolescentes, jovens e adultos a importância e a grande conquista que foi e continua sendo o voto universal e direto no Brasil.