ENEM 2002 - O direito de votar

Enviada em 18/10/2020

O peso das urnas

Em 1822 o Brasil é reconhecido como nação e, sob sistema monárquico no ano de 1824, promove a atualização da Constituição. Inicia-se então a jornada do voto que, mesmo sendo censitário, inaugura a participação eleitoral de um número maior de cidadãos e, a partir deste feito, agaranha impulsos para contribuição popular na política, que com o passar dos anos fez das urnas um meio de expressão. Conquanto, mesmo após anos e conquistas, a democracia se conflita quando o pensamento volta-se para a obrigatoriedade de votar, conferindo ao direito a problemática do voto sem a real ciência de sua importância e fazendo do ato, uma mera tarefa a ser cumprida.

Com base nisso, e refletindo sob o fato do Brasil ter tal direito atualizado pela Constituição Federal desde 1988, seria racional acreditar que o país possuí eleitores condicionados à votar com seriedade e entendimento. Entretanto, o cenário atual explana um eleitorado que faz uso da ingenuidade do eleitor, que não é educado para entender o poder de seu voto e, sob promessas e pequenos agrados, conquista tal parcela de pessoas, garantindo o cargo desejado, mas sequer atendendo às necessidades mínimas prometidas.

Não obstante, muitos que ainda não possuem preparo para cumprir tal condão, seguem na contra mão de exercer o direito e caminham em direção de ter que fazê-lo.  Conferindo a virtude de votar, um peso, muitas vezes influenciando a simplesmente optar por qualquer alternativa mais acessível, como um político com grande divulgação ou números aleatórios a serem inseridos, sem sequer saber de sua integridade ou propostas.

Diante do exposto, faz-se necessária a intervenção das escolas em seus mais variados níveis de ensino, que a partir de ações do Ministério e secretarias de educação, promovam programas e matérias escolares que agucem e lecionem sobre a importância do voto, bem como, repassem a habilidade de analisar e entender as propostas políticas, a ponto de saber diferenciar quais destas realmente podem ser cumpridas no âmbito em que vivem e no contexto no qual o eleito esta inserido e tem poder para realizá-la. Faz-se mister salientar, que adendos e revisão sobre o direito ao voto, pelo Tribunal de Justiça Eleitoral, são necessários, visto que, caso não fosse obrigatório, o ato de votar realmente destinar-se-ia àqueles que querem garantir mudanças, por indivíduos mais integrados a política, ou ainda, por pessoas que simplesmente carregam em si a esperança de um governo mais justo.