ENEM 2002 - O direito de votar

Enviada em 18/10/2020

No período Clássico da Grécia Antiga, Atenas cumpria um papel de preeminência perante outras civilizações, tanto no âmbito econômico quanto no literário e arquitetônico. Essas transformações expressavam nada mais senão o poder de decisão política corporificado nas mãos dos seus cidadãos. No Brasil contemporâneo, por sua vez, é evidente que a carência (concernente a transformações pelo viés democrático) é possibilitada, devido à lógica liberalista do governo atual e ao desinteresse da administração pública em politizar o seu cidadão.

De início, já no Iluminismo, movimento de contestação político-social, filósofos, tais como : Jean Jacques Rousseau, Voltaire e Montesquieu já chamavam a atenção dos perigos quanto à lógica liberalista. Esta corrente, dentre outras coisas, preconiza a não intervenção do Estado em questões sociais, o que é empiricamente observado no país em questão logo no congresso Nacional, no qual boa parte dos representantes políticos são empresários que defendem os seus interesses, pondo, assim, numa escala de menor importância os  coletivos e o bem-estar social. Dessa forma, o cidadão sente-se sem representatividade e estranho à sociedade. Esses empresários, ainda, tendem a flexibilizar a privatização dos bens públicos (como foi o caso da Vale e da Petrobrás), o que denota, portanto, consequências terríveis, como a falta de concursos públicos, por exemplo.

Outro quesito que se torna um entrave à resolução da problemática é a despolitização social. Quanto a isso, o escritor Bertolt Brecht em “Analfabeto Político” destaca os efeitos do desinteresse pelas questões que permeiam o meio coletivo e, dentre eles, estão problemas relacionados à infraestrutura das escolas, hospitais e praças públicas. Nessa questão, o Estado brasileiro tem um grande quinhão, o que pode ser expresso na PEC 55, a qual congela gastos em investimentos como, por exemplo, na saúde e educação–campo este imprescindível na formação do cidadão.

Frente às problemáticas supracitadas e precedentes, é de suma importância que, tanto o Congresso Nacional bem como o Poder Executivo, em coalizão, deliberem e redigam Leis Ordinárias, a fim de fornecer subsídios com o escopo de financiar projetos de formação e politização social da comunidade; a construção de estandes e montagens de barracas ao ar livre, com total facilidade de acesso; a construção de praças públicas para garantir apresentações teatrais as quais façam alusões às conquistas garantidas pelo viés político (como o direito ao voto nas Diretas Já). Além disso, que essas leis atribuam uma maior participação do Poder Público, ao passo que diminuam o poder de influência política das corporações privadas, a fim de garantir o engajamento social e o consequente posicionamento político do cidadãos, como o que foi evidente na Grécia Antiga.