ENEM 2002 - O direito de votar
Enviada em 28/10/2020
O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito ao direito de votar. Nesse contexto, o sufrágio é um desafio no Brasil e esse obstáculo persiste devido não só à priorização de interesses financeiros, mas também ao individualismo.
Convém ressaltar, a princípio, que a priorização de interesses financeiros não só dos políticos, como também dos cidadãos, é um fator determinante para a persistência do problema. Theodor Adorno, filósofo da Escola de Frankfurt, cunhou o conceito de Indústria Cultural. Diante dessa perspectiva, dificuldades no direito ao voto florescem em virtude da supremacia de interesses financeiros que acabam por ganhar grandes proporções. Assim, tem-se a objetificação de sujeitos e de práticas sociais como consequência, o que acaba por agravar a questão.
Outro ponto relevante, nessa temática, é o individualismo. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange ao direito de votar. Essa liquidez que influi sobre a questão do sufrágio funciona como um forte empecilho para a resolução da problemática, uma vez que objetivos pessoais são priorizados em detrimento do coletivo. É necessário, portanto, que ações sejam desenvolvidas para a promoção plena do direito de votar. Para esse fim, é preciso que ONG’s, em parceria com mídias de grande acesso, criem campanhas nas redes sociais que façam a sociedade repensar a priorização de seus interesses financeiros. Tais campanhas devem refletir a atuação negativa desses interesses no sufrágio, para que a população possa decidir criticamente quais são as prioridades que promovem um bem-estar coletivo. Assim, ressalta-se a relevância de resolver a problemática no momento atual, pois, como defendeu Martin Luther King: “Toda hora é hora de fazer o que é certo”.