ENEM 2002 - O direito de votar

Enviada em 28/10/2020

Em meados do século XVIII o voto no Brasil era restrito apenas aos homens livres e aos homens livres analfabetos, contudo, a Constituição de 1824 ainda desfalcava parte desse pequeno grupo estipulando uma renda mínima para efetivar a cédula eleitoral. Posteriormente, com o início da República Velha o sufrágio ainda era proibido a menores de 21 anos, mulheres,  analfabetos, mendigos, soldados rasos, indígenas e integrantes do clero, somente após a entrada de Getúlio Vargas ao poder esse cenário passou a mudar. Dessa forma, o direito ao voto segregou grande parte da população ao longo da história.

Primeiramente, a ampliação do voto para as demais partes da população gerou maior representatividade política. Uma vez que, em diferentes épocas a política girava em torno daqueles que possuíam altas rendas e dos próprios políticos, assim, as elites locais resolvem elevar um “político fantoche” com a intenção de que este estaria no poder para cumprir os desígnios dos setores dominantes. Dessa forma, com o sufrágio universal, resultante da Constituição de 1988, tal cenário foi modificado e, atualmente, a escolha de um governante não está restrita nos interesses da elite e sim de toda a sociedade.

Para além da questão representativa, o voto tem grande importância para a sociedade. Visto que, nos dias de hoje, mesmo que o voto seja direitos de todos, parte da população ainda não o faz ou decide pelo sufrágio nulo, tal fato pode resultar em acontecimento passados, pois se grande maioria não votar e mesmo assim haja cidadãos que votem, estes tem a cédula contabilizada e o candidato que possuir cinquenta por cento mais um dos votos válidos ganha a eleição. Desse modo, a recusa ao sufrágio pode eclodir um novo governo fantoche - termo utilizado pela ciência política que designa um Estado que depende de uma outra potência para a sua existência e que segue seus proveitos -  de acordo com os interesses daqueles que votaram e gerar dificuldades para algumas tribos urbanas.

Desse modo, a fim de garantir o direito ao voto,  as escolas, formadoras do intelecto, pode apresentar aos seus alunos a magnitude desse ato. Primeiramente, como medida paliativa, ela poderia promover palestras educativas a fim de instruí-los sobre a importância da realização do sufrágio. Concomitantemente, como medida estrutural, por meio de aulas de história e de sociologia  ela pode apresentá-los as dificuldades históricas que parte da população teve para adquirir esse direito e como o voto pode afetar diretamente as sociedades com a finalidade de conscientizá-los sobre a relevância desse simples feito. Como efeitos, ela promoverá aos alunos o conhecimento sobre o assunto e formará indivíduos cientes de como o voto pode atribuir melhorias à sociedade.