ENEM 2002 - O direito de votar
Enviada em 25/10/2020
‘‘Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o importante é modificá-lo’’. O argumento de Marx leva ao pensamento de que é preciso transformar o mundo. Nessa perspectiva, ao se discutir sobre o direito de votar, o ponto fundamental é: o engajamento da cidadania é de suma relevância para deliberar a harmonia e o desenvolvimento do corpo social, sendo esse conjunto de posses decisórias concedidas -com grandes lutas e conflitos- à própria população. No entanto, o que se observa é a omissão da significância do poder eleitoral devido às baixas expectativas de progresso por parte dos brasileiros e à passividade do governo em estruturar a educação básica voltada a tal tema.
Dentro desse contexto, destaca-se a ideia de que o povo brasileiro não almeja exercer o papel de eleitor com prioridade, em razão da desorganização do ambiente político nacional, uma vez que essa conjuntura apresenta-se, com clareza, na República Velha (1889-1930), quando os cidadãos vendiam seu direito para os coronéis, em consequência da necessidade de demandas como terras, empregos e alimentos, fenômeno o qual conhecido por ‘‘Voto de Cabresto’’. Ademais, o fato de que as eleições a época serem com voto aberto, além da inexistência de fiscalização da corrupção, colaboraram para a inércia dos habitantes sufragistas. Assim, fica claro que a reconstrução desse ambiente, com tais hábitos ainda presentes, torna-se essencial para recuperar o apego à condição de julgamento.
Antes de lançar avaliação precipitada sobre tal questão, é preciso entender que, em função da desordem histórica dentro dessa área, há a manifestação do autor realista Machado de Assis em suas obras, de modo a exibir esses problemas e, de certa forma, motivar a participação dos interlocutores em reverter a ocasião. Toda essa argumentação sustenta-se na ideia de que o Estado pode utilizar essas produções, com o objetivo de estimular esse senso crítico desde a educação inicial e, quiçá, implementar o desejo de mobilização pela pátria, em especial no âmbito deliberativo. Com isso, fica evidente a necessidade do uso dessa medida que, de fato, tem potencial para resolver tal situação.
Portanto, é imperativo que o Ministério da Educação intensifique o aprendizado básico nas redes de ensino, a partir de reformulações dos materiais didáticos, das aulas e das palestras disponíveis, abordando a importância da execução dos direitos e dos deveres, com o fito de influenciar as pessoas a interferir no funcionamento do organismo social, mostrando-as, desde o início da instrução, os caminhos que devem ser seguidos. Outrossim, é imprescindível que a Mídia conduza o restante dos espectadores, com postagens e propagandas, a fim de ilustrar o impacto do desempenho do ser cidadão no futuro da nação. Dessa forma, é viável que alterar-se-á o funcionamento da comunidade, como queria o sociólogo Karl Marx.