ENEM 2002 - O direito de votar

Enviada em 31/10/2020

Na mitologia grega, Prometeu contribuiu com o desenvolvimento da Humanidade ao dar-lhe o fogo e, por esse motivo, foi condenado por Zeus a ter seu fígado devorado diariamente por um abutre. Fora da ficção, o mito adapta-se à temática do direito de votar. À luz disso, o acesso ao poder de decisão é fundamental para a construção do senso crítico nos cidadãos. Nesse sentido, é necessário que a sociedade compreenda as dimensões de influência que a democracia exerce e, além disso, a oportunidade de mitigação do autoritarismo que ela oferece.

A priori, cabe mencionar o pensamento do filósofo grego Aristóteles: “O homem é por natureza um animal político”. Sob essa ótica, a participação ativa na vida social é indispensável para os seres humanos na busca por dignidade. Porém, caso os indivíduos se limitem a apenas exercer sua cidadania diante da urna eletrônica, o efeito dela será reduzido a meros momentos repetitivos. Por conseguinte, não basta se aprofundar em reflexões acerca da questão e escolher candidatos com cautela: também é imprescindível a organização de passeatas, sindicatos e movimentos que cobrem dos governantes a aplicação, na prática, dos direitos garantidos pela Carta Magna do Brasil. De acordo com o materialista Karl Marx, os filósofos, até então, procuraram somente interpretar o mundo, e não transformá-lo. Hodiernamente, é dever do eleitor atuar como esse modelo de “filósofo revolucionário”.

A posteriori, vale destacar que “democracia” significa “poder nas mãos do povo”. Nesse viés, por intermédio dessa, é possível calar os ecos das vozes de tiranias do século XX, como o nazismo e o fascismo, que insistem em retornar, ciclicamente. Para isso, é vital o discernimento popular das responsabilidades advindas dessa dinâmica. Sob esse âmbito, o voto universal é o resultado da luta das classes menos favorecidas economicamente e desprezadas socialmente por séculos. Por esse ângulo, o atual estágio das eleições é a concretização de parte significativa das reivindicações de vários ativistas, como Martin Luther King e Rosa Parks. Nessa perspectiva, o discurso de King, “Eu tenho um sonho”, é uma marca de resistência a regimes ditatoriais, como o Regime Militar no Brasil.

Logo, é mister que o Ministério da Cidadania organize palestras de cientistas políticos nos centros culturais dos municípios, com o fito de conscientizar toda a população sobre as várias opções que a democracia concede. Ademais, é relevante que sejam abordados os prejuízos acarretados pela falta desse poder de escolha, como a opressão tirânica, a fim de reduzir os danos aos direitos humanos. Para tanto, é necessário que o Congresso discuta uma lei que preveja a destinação de parte da verba eleitoral para um fundo que patrocine a preparação desses eventos. Assim, o titã libertar-se-á, definitivamente, das amarras do autoritarismo de Zeus e das garras do abutre da ditadura.