ENEM 2002 - O direito de votar
Enviada em 19/10/2020
Hodiernamente, é notório o quanto o Brasil avançou em questões democráticas após um longo período de restrição dos direitos individuais, com o fim da ditadura civil-militar. Embora a cada dois anos o poder do voto seja renovado, muitas pessoas não buscam se importar com a política que faz parte do seu dia-a-dia. Nesse sentido, destacam-se a importância das lutas para a consolidação da democracia e o papel do Estado para com os cidadãos.
Convém ressaltar, a princípio, o movimento civil conhecido como “Diretas já”, ocorrido em 1984, que tinha por objetivo a retomada das eleições diretas e a participação do povo, definida como uma luta em busca de direitos. Assim como afirmou Aristóteles: “A política é a arte de viver em sociedade e tomar decisões que visem o bem comum”. Análogo a isso, é evidente que o voto e a política permitem uma maior participação da sociedade em busca do que é melhor pra ela mesma. Entretanto, as pessoas se portam de maneira a não se preocupar com a sua comunidade, pois, a partir do momento em que se nega toda a luta pelo direito do voto, ao não fazê-lo, o indivíduo foge da natureza para a qual foi determinado e permite que o desejo de outras pessoas prevaleçam o seu.
É importante pontuar, ainda, que a Constituição de 1988 garante ao povo eleger seus representantes políticos, a fim de defender os direitos da população e caracterizar um país plenamente democrático. No entanto, é inegável que uma sociedade que não sabe votar é vulnerável às ideologias dos partidos políticos dominantes e obedece aos interesses políticos de um determinado grupo. Consequentemente, a ausência de uma educação política tornam seus eleitores destinados a golpes por não saberem avaliar as propostas eleitorais, o que resulta em plenários e coligações sem coesão e sem eficácia na resolução de entraves sociais. Assim, foi como afirmou o poeta B. Brecht: “O analfabeto político é o pior analfabeto, pois este não ouve e não fala, depende das decisões dos outros”.
Portanto, é indubitável que providências devem ser tomadas pelo Ministério da Educação que, em parceria com as mídias, planeje, por meio de aplicativos, uma fiscalização política, a fim de que o povo consiga ter as informações necessárias sobre o indivíduo que está no poder e sobre suas obras políticas, além de se interessar em cumprir com o seu papel de eleitor em futuras eleições. Ademais, cabe, ainda, ao M.E aderir à base curricular escolar matérias que visem explicar como funcionam a política do país e a importância do direito ao voto dentro de disciplinas como história, sociologia e filosofia, a fim de incentivar a participação política com ética. Com essas medidas, os cidadãos dependerão menos das decisões dos outros e olharão para o país com mais importância, sempre visando o bem comum.