ENEM 2002 - O direito de votar
Enviada em 23/10/2020
O ato de automedicação não é algo apenas dos dias atuais. Outrora, as curandeiras, pessoas sem diplomas da área médica que exerciam tarefa semelhante, desenvolviam uma série de práticas terapêuticas a fim de obter curas de determinadas enfermidades. Atualmente, no século XXI, essa herança histórica perpetua-se, causada pelas variadas informações encontradas nos meios digitais, essas ações resultam na dependência desses medicamentos consumidos de maneira irregular e capazes de prejudicar a saúde. Dessa maneira, faz-se necessário medidas para intervir a automedicação da população no Brasil.
A princípio, é preciso destacar a grande parcela de informações disponíveis na internet como causa para o problema da automedicação no Brasil. Isso se deve a Terceira Revolução Industrial, a qual representou um período de avanço tecnológico que uniu ciência e indústria, e permitiu, cada vez mais, aos indivíduos apropriarem-se de mecanismos digitais a qualquer momento. Desse modo, os conhecimentos antes adquiridos com uma consulta médica, tornou-se acessível de forma muito mais rápida e fácil, por exemplo, pelo Google, plataforma digital que apresenta diversas informações sobre algo a qualquer momento que for pesquisado. Assim, com o desenvolvimento tecnológico da era digital, é notório uma revolução na comunicação e no acesso à informação, o que facilitou que a população usufrua de medicamentos sem precisar da opinião de um profissional da saúde, uma vez que a finalidade de uso do medicamento é divulgada facilmente.
Por conseguinte, o processo de automedicação, em excesso, gera problemas nocivos à saúde de quem os pratica. Isso porque, a utilização desenfreada de medicamentos, sem autorização de um especialista, pode dificultar o diagnóstico de uma possível doença mais grave, uma vez que durante o uso desses remédios o organismo do indivíduo tende a aliviar os sintomas, e tornar o medicamento resistente, quando o seu uso é de maneira excedente, e há capacidade dos microrganismos de resistir aos seus efeitos que normalmente seria eficaz contra eles. Essa consequência é relatada nos dados da Organização Mundial da Saúde, a qual relata que as infecções resistentes a remédios já causam 700 mil mortes todo ano.
Portanto, são indispensáveis que os efeitos negativos a saúde, decorrente da automedicação sejam minimizados. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, setor responsável por administrar e pela manutenção da saúde pública no Brasil, em parceria com a mídia social, elaborar projetos, que visem orientar os cidadãos sobre a automedicação, e principalmente seus riscos à saúde, por meio de comerciais exibidos pela televisão, anúncios em plataformas digitais, como Facebook e YouTube, entre outros. Essa ação terá como finalidade informar as pessoas a importância de não ingerir remédios sem devida autorização de um profissional de saúde, a fim de evitar problemas maiores ao bem estar dos indivíduos, e garantir o direito de todos a saúde, e o dever do Estado com políticas sociais que objetivem reduzir os riscos de doenças e outros agravos, conforme descrito pelo Artigo 196. Da Constituição Federal.