ENEM 2002 - O direito de votar
Enviada em 23/10/2020
O sistema político brasileiro é regido pela lógica da democracia representativa, a qual é caracterizada por um grupo de indivíduos que são escolhidos pela população a cada 4 anos para ocuparem cargos do Poder Execultivo ou Legislativo. Neste sentido, percebe-se que o voto é uma importante ferramenta para a ocorrência de transformações sociais, pois são os eleitos pelo povo que irão planejar as políticas públicas e colocá-las em prática. Contudo, a existência de problemáticas como a polarização política da população e o seu desconhecimento sobre o fucionamento do governo brasileiro são empecilhos que impedem a existência de uma coesão da sociedade.
Diante deste contexto, a divergência da opnião pública acerca dos representantes da nação, a qual é corroborada pelo sentimentalismo das pessoas, é um obstáculo que deve ser superado. De acordo com o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, em seu livro “Raízes do Brasil”, o brasileiro age de forma idêntica à um “homem cordial”, isto é, se comporta baseado nas emoções em detrimento da racionalidade. Sob esta perspectiva, a população, quando se utiliza da emotividade, tende a criar um ideário maniqueista acerca da política, a qual se embasa na existência de partidos do bem e do mal. Por consequência, as pessoas não utilizam o seu voto como uma forma de promover o avanço da nação, mas como um artifício para criar intrigas, as quais resultam, muitas vezes, em discursos de intolerância, o que impossibilita a sociedade de se integrar para reinvidicar mudanças sociais.
Outrossim, a falta de uma elucidação da população a respeito das funções do governo é um contratempo que necessita ser debatido. Segundo o filósofo Jünger Harbemas, a argumentação é o tipo de discurso em que os participantes tematizam pretensões de validade controversa e procuram resovê-las ou criticá-las com argumentos. Entretanto, no âmbito político, o corpo social não tem aparato para promover debates, haja vista que desconhecem das funções básicas de cada agente público. Sob essa ótica, isso ocorre devido ao fato de que o Ministério da Educação não estabelece, na grade curricular do ensino médio e fundamental, aulas sobre política. Em razão disto, a sociedade é facilmente manipulada pelos orgãos públicos, o que favorece a existência de atos de corrupção no governo.
Portanto, subterfúgios devem ser criados a fim de promover um maior engajamento da população na política. Para isso, é fulcral que o Ministério da Educação, além de adicionar aulas de política nas escolas, incentive a ocorrência de debates harmoniosos entre os estudantes, por intermédio de um professoes capacitados, os quais irão ensinar a função dos principais agentes públicos e o fucionamento das atividades econômicas brasileiras. Para que, dessa forma, a população utilize seu voto de forma mais racional, colocando os ideais de Harbemas em prática.