ENEM 2002 - O direito de votar

Enviada em 22/10/2020

A democracia no Brasil teve um caminho tortuoso até chegar onde está. Quase quarenta anos depois da proclamação da república foi a primeira vez que mulheres puderam votar. Nos anos 60, a ditadura militar tira o direito de voto. Em 1988, na mais nova constituição e a que restabeleceu a democracia plena no país, foi a primeira vez que os analfabetos, que, na época, representavam um quinto da população, por dados do IBGE, tiveram poder de voto. Por essa fragilidade e por ser relativamente recente essa democracia, o direito de votar tem que ser reforçado, tanto por participação mais direta dos votantes quanto por maior transparência da máquina do governo em relação ao povo.

Primeiramente, discutamos sobre a transparência. O Brasil ainda usa técnicas muito tradicionais de campanhas e candidaturas, como os chamados “santinhos” (a propaganda impressa), os carros de som, e o horário eleitoral. Essas publicidades são completamente impessoais e não são capazes de fazer o eleitor realmente entender o que um candidato está propondo para seu mandato. Isso deixa na mão do próprio votante a função de se informar sobre quem concorre, e a quantidade de pretendentes faz com que isso seja quase impossível. Os votantes, não tendo consciência de como será a política dessa enormidade de candidatos, justamente por causa da ineficiência nas campanhas, acabam votando só por reconhecer a pessoa, seja um político antigo ou uma personalidade pública, em vez de um candidato - que poderia ser, obviamente, uma face reconhecida - com o qual o eleitor se reconheça em relação às propostas políticas. Uma maneira simples de começar a remediar essa situação é que os governos municipais promovam debates políticos nas cidades, para que os cidadãos conheçam os candidatos locais e tenham um voto mais consciente.

Importante também ressaltar medidas mais diretas de voto, como os referendos e plebiscitos. Desde a redemocratização do Brasil, no fim da ditadura e com a constituição de 1988, só foram feitos um referendo e um plebiscito nacionais. Há certos assuntos, principalmente relacionados a mudanças em quesitos socioculturais, como, por exemplo, a legalização de drogas, em que é imprescindível a participação direta do povo. Uma mudança na sociedade tem que ser discutida por toda a sociedade, e não só por seus representantes. Com isso, uma maior quantidade de referendos e plebiscitos é essencial para reforçar o direito ao voto.

Em suma, o direito de votar ainda está na sua infância no Brasil. Ele precisa ser reforçado pelo próprio governo, com campanhas eleitorais mais pessoais e abrangentes, como o fomento de debates públicos de candidatos, e uma maior quantidade de referendos e plebiscitos, para, com essas mudanças, criar uma sociedade mais consciente de sua representação e de sua democracia.