ENEM 2002 - O direito de votar

Enviada em 22/10/2020

Ao longo da formação do sociedade brasileira, o direito de votar passou por diversas transformações. Nesse sentido, o sufrágio universal, entendido como o pleno direito ao voto de todos os cidadãos adultos, salvo poucas exceções, só foi concretizado, no Brasil, apenas com a Constituição Federal de 1988. No entanto, embora tenha sido uma conquista indiscutível para os indivíduos, a carência de debate político no meio social, sobretudo nas escolas, por um lado, aliado à supressão da representatividade política, por outro, impede que tal ação promova transformações sociais válidas.

Em primeira análise, é pertinente abordar que a pouca discussão sobre as ações inerentes à ciência política, no cenário brasileiro, é um impasse para a concretização da cidadania, desempenhada no exercício do voto. Sob essa ótica, segundo a filósofa Marilena Chauí, a política foi criada com o intuito de discutir e decidir, bem como reiterar ações, nas sociedades, que dizem respeito a todos os seus membros. Nessa perspectiva, é evidente que, quando não há um engajamento no que tange a tal assunto, ocorre a formação de uma lacuna social. Isso pode ser identificado principalmente na maioria das escolas do país, onde os estudantes não são instruídos sobre a importância da discussão política e do direito ao voto. Dessa forma, a ação apontada por Chauí deixa de ser uma realidade no Brasil, haja vista que há uma incompleta formação cidadã.

Em segunda análise, é importante evidenciar que a representação política brasileira, relacionada a políticos que abusam de poder, interfere na questão da participação popular nesse meio. Esse contexto pode ser melhor compreendido na obra Ruptura, do sociólogo Manuel Castells, em que aborda a contínua desconfiança nas instituições e na legitimidade da representação política por parte dos indivíduos. No Brasil, isso é ainda mais visível em se tratando dos constantes escândalos de corrupção associados a várias figuras políticas. Desse modo, é indubitável que a instabilidade nesse sistema compromete tanto o exercício do voto, em específico, quanto a atividade cidadã de modo geral.

A participação política, sobretudo o direito ao voto, é, portanto, um mecanismo pelo qual, em partes, os cidadãos promovem transformações sociais. Por isso, cabem aos Ministérios da Cidadania e da Educação promover uma campanha de realce à política no Brasil. Isso pode ser feito mediante palestras nas escolas com profissionais especializados no meio político, os quais debaterão as funções inerentes, principalmente a importância do voto, aos estudantes. Além disso, através da exibição de vídeos  nos principais canais de tevês abertos e nas mídias sociais, que esclareçam à sociedade em geral as relações da política com o cotidiano dos seres humanos. A fim de não só despertar o senso crítico e instruir os alunos, mas também restabelecer no meio social a necessidade do debate político.