ENEM 2002 - O direito de votar
Enviada em 23/10/2020
Durante o golpe de 1964, os civis brasileiros perderam as chances de escolher diretamente seu líder político, fazendo desse período uma afronta direta ao senso de democracia, liberdade e boa qualidade de vida. Contemporaneamente, com o direito citado reestabelecido, a população ainda enfrenta dificuldades em ter sua voz e necessidades ouvidas, ainda que pelo voto. Esses empecilhos na luta social se fundam, principalmente, no insatisfatório nível de conhecimento político público e na manipulação popular pelos próprios políticos.
Em primeiro plano, deve-se lembrar do Brasil como um país subdesenvolvido que não valoriza muito bem o aspecto educacional popular. Como forma de exemplificar o citado, um levantamento liberado pela Unesco mostra o país em questão na ocupação do quinto lugar entre as 16 regiões com maiores taxas de analfabetismo de maiores de 15 anos. Sob esse viés, percebe-se a incapacidade em garantir o conhecimento do povo sobre seus direitos no aspecto político quando não lhes é assegurado a própria educação básica.
Em segundo plano, é necessário perceber que ainda existem grandes resquícios do conhecido coronelismo entranhados pela nação. A música lançada em 1987 por Raul Seixas, “Cowboy Fora Da Lei”, retrata muito bem a realidade vivida por grande parte da população, principalmente nas cidades de interior. Durante a canção, o cantor expressa sua agonia por ser obrigado a se candidatar, enfrentar o “líder” da região e sua mídia comprada no trecho “Pode ser que eu seja eleito e alguém pode querer me assassinar! Eu não preciso ler jornais, mentir sozinho eu sou capaz”. Essa ainda constante presença de certas oligarquias políticas gera certa pressão nos eleitores da região, além da forte ilusão promovida pelos líderes de seu povo ser dependente, impedindo o crescimento de ideiais próprios.
Diante o exposto, é notória a urgência em garantir que alguma mudança positiva do quadro seja atingida. Primeiramente, a prefeitura de cada cidade poderia exigir a disponibilização pública dos direitos e outros conhecimentos políticos básicos que podem ser úteis, utilizando-se das plataformas online, distribuição de panfletos e rádios. Desse modo, a participação ativa do povo na vida política os desenvolveria para uma eleição mais consciente. Posteriormente, a secretaria de segurança pública deve garantir que as fiscalizações durante os períodos de propaganda eleitoral sejam mais intensas, utilizando-se de rondas da polícia militar e observações das atividades profissionais dos candidados. Com isso, os civis teriam uma maior liberdade de pensamento e atuação, permitindo, assim, que o direito ao voto fosse, de fato, utilizado mais conscientemente para ter conquistas sociais necessárias.