ENEM 2002 - O direito de votar

Enviada em 01/11/2020

Em “Macunaíma”, o escritor modernista, Mario de Andrade, da voz a um herói um tanto controverso quanto aos paradigmas conhecidos pela classe, já que substitui as qualidades clássicas desses seres pelo uso constante da mentira em seu herói sem nenhum caráter. Saindo do plano artístico, não se faz difícil observar sujeitos macunaímicos na vida política, agravando portanto, a problemática que precisa ser discutida que é o direito de votar. Cabe destacar, dessa maneira, como fatores que consolidam esse cenário, a falta de representatividade política da população e a corrupção. Nesse contexto, é válido viabilizar meios de solucionar essa problemática.

Em primeira análise, é válido destacar que desde da Grécia Antiga apenas uma parcela da sociedade poderia participar da política, que eram os homens ricos e brancos, os outros grupos eram excluídos do processo de socialização. Cabe destacar, que esse direito só foi conquistado recentemente, porém ainda não foi concretizando em decorrência da falta de representatividade. Segundo uma pesquisa realizada pelo Ipsos, aproximadamente 94% do brasileiros não se sentem representados pelos políticos e relatam o descontentamento na hora de votar. Destarte, infelizmente, a falta da participação na política das minorias sociais põem em risco a democracia exercida pelo voto.

Outrossim, a corrupção — como compra de votos, desvios de dinheiro em campanhas eleitorais e troca de favores — corroboram com essa problemática. Isso se comprova pois desde da República Velha, no Brasil, quando os coronéis usavam o abuso da autoridade e a troca de favores para manipular as votações e mudarem votos de cidadãos que nem ao menos sabiam ler. Atualmente, as práticas de “clientelismo” tornaram-se mais sofisticadas, continuam a vigorar por meio de milícias, líderes religiosos e narcotraficantes. Portanto, lamentavelmente, o direito de votar que foi tão difícil de ser conquistado pela minoria social acaba sendo manipulado pelos detentores de poder e trazendo benefícios apenas para eles.

Portanto, torna-se imperativo que se desenvolvam medidas de controle do problema. É dever do Tribunal Superior Eleitoral em parceria com o Ministério da Justiça aumente o número de fiscalizações e torne as punições mais rígidas para os candidatos que praticam o “clientelismo”. Isso deverá ocorrer por meio de um aumento de contingente de fiscais através de concursos públicos e por emendas mais rígidas, com o intuito de diminuir os casos de corrupção nas eleições. Dessa forma, a problemática será resolvida a longo prazo e sujeitos macunaímicos, citados por Mario de Andrade, não participarão da política.