ENEM 2002 - O direito de votar

Enviada em 23/10/2020

Conforme as reflexões do filósofo Aristóteles, “O homem é um animal político”. A partir dessa linha de raciocínio, é possível traçar um paralelo com uma das temáticas que mais aflige a coletividade: como transformar o voto em um instrumento de mudança social. Logo, é importante salientar que o ser humano, por ser dotado de razão e discurso, cumpre papel importante na organização da vida pública. Dessa forma, é necessário que haja o entendimento das raízes do problema e os motivos de sua permanência na atualidade, para que uma solução seja desenvolvida e colocada em prática.

A priori, é crucial destacar que o direito de escolher representantes em um país democrático como o Brasil passou por algumas rupturas ainda no século XX. Por exemplo, o Estado Novo Varguista (1937-1946) e o Regime Militar (1964-1985), foram dois períodos em que a população não pôde participar das decisões políticas. Assim, é crível afirmar o seguinte: uma sociedade que não participou da conquista do voto universal e vivenciou dois grandes rompimentos da Democracia, tende a não se interessar o suficiente pela política nacional e a se afastar cada vez mais da mudança.

O fato supracitado é sustentado por pesquisas realizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que registrou cerca de 30% de abstenções na eleição de 2018. Isso significa que praticamente um terço dos eleitores se recusou ou não pôde comparecer ao local de votação. Portanto, esse levantamento demonstra o compromisso precário que os brasileiros possuem com a organização da comunidade. Consequentemente, os políticos não representam a maioria dos indivíduos e também não buscam a melhoria da gestão pública. Caso o cenário não mude nos próximos anos, a conquista de novos direitos será dificultada e prejudicará o crescimento da nação.

À luz do exposto, torna-se condição “sine que non” que o Governo Federal tome providências para aumentar a participação política dos indivíduos no país. Em primeiro plano, o TSE deve aumentar o valor da multa para o eleitor que se absteve e não justificou a ausência na votação. Com o valor da multa aumentado, haverá um incentivo para que homens e mulheres compareçam e pratiquem o direito e o dever de votar. Inclusive, o capital arrecado com essas infrações poderá ser destinado às escolas públicas e privadas. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Educação fomentar a ocorrência de aulas, palestras e seminários sobre a relevância de estudar a política nacional. Ao estimular os debates em aulas de Sociologia, por exemplo, crianças e jovens entenderão que votar é um meio de buscar a mudança social, assim como conquistar direitos e garantir o exercício da cidadania. Apenas por esse caminho o Brasil poderá reduzir a abstenção nas eleições e caminhar para ser um país mais justo, democrático e com um povo unido em prol de um bem maior.