ENEM 2002 - O direito de votar
Enviada em 23/10/2020
“Mas todos acreditam no futuro da nação…”
“Nas favelas, no Senado, Sujeira pra todo lado, Ninguém respeita a Constituição…”. A letra pertencente à musica “Que país é esse”, de Renato Russo, denuncia a ineficiência que reina entre os governantes da nação. Fato é que, desde os primórdios da república no Brasil, o povo, o principal responsável pelo ideal funcionamento desse sistema político, nunca teve uma grande participação e, ainda hoje, há uma carência deles nessa situação. Desta feita, vale analisar os fatores originários dessa ausência populacional, buscando as raízes dessa questão e os reflexos na sociedade atual.
Nota-se, inicialmente, que a falta de participação eleitoral tem suas origens históricas enraizadas no processo de formação da república brasileira, a qual apenas usou como peças de xadrez a população que não tinha liberdade alguma para voto, muito menos a oportunidade de participação política. A partir disso, cada partido compreende a sua própria conservação, parafraseando Nietzsche. Essa frase representa bem a real situação ocorrida na República Velha, que a elite aristocrata afim de manter seu poder continuava a controlar como quisessem todos os votos, por meios de fraudes, ou mesmo o famoso voto de cabresto.
Ademais, no cenário atual, nota-se um desvio nos ideais democráticos constituídos na Constituição Federal, os quais são importantíssimos na construção de uma população politicamente participativa. Desta maneira, há uma formação de realidade onde o blefe politico virou algo cotidiano, foi alastrado, e como consequência fez as pessoas terem ideias cada vez mais pessoais, surgindo assim uma apatia social. Com isso, a falta de ação política, no Brasil, é uma realidade que distancia o cidadão. Prova disso é a pesquisa feita pelo jornal “The economist” que catalogou a partir da média de alguns dados um índice de democracia, onde o Brasil ficou abaixo da média em participação política.
Percebe-se então que a falta da democracia no país é um mal na sociedade contemporânea, desta feita, deve ser combatido pelo Ministério da Educação a partir da adição no calendário escolar do ensino da filosofia política para os alunos, a fim de levar reflexões mais profundas sobre a participação necessária para um bom funcionamento do sistema político. Além de promover direitos como moradia, educação e saúde, estimulando a união dos civis desde a educação básica. Conseguindo assim, chegar a uma utopia do estado democrático.