ENEM 2002 - O direito de votar
Enviada em 24/10/2020
No livro “Como as democracias morrem”, dos escritores Steven Levtsky e Daniel Zilblatt, os autores analisam os processos autoritários que acontecem no mundo inteiro, eles retratam que as democracias morrem de forma lenta e gradual, fornecendo espaço para o autoritarismo, mas não permitem que as pessoas percebam que estão adentrando em um processo extremamente perigoso. De maneira análoga ao livro supramencionado, o direito ao voto foi uma conquista popular, árdua e sofrida, obtida por meio de manifestações e posteriori ao terem uma concessão para eleger os seus representantes, o povo não usufrui dela como queria, pois desacreditam da classe política.
Mormente, o direito ao sufrágio foi conquistado através de uma grande luta da sociedade brasileira. Nesse viés, no início do século xx, Getúlio Vargas institui o voto secreto e as mulheres conquistam legalmente a aquiescência ao sufrágio. Entretanto, na Ditadura Militar de 1964, a sociedade perde novamente o direito de votar. Contudo, com o auxilio do movimento “Diretas já”, a Constituição Cidadã é criada em 1988 e o Brasil torna-se um país plenamente democrático. Logo, frente aos acontecimentos históricos supracitados, transparece uma exorbitante participação da população para conquistar o direto ao sufrágio, pois sem uma mobilização popular os ditadores de épocas distintas passariam seus cargos para os seus neófitos, perpetuando um ciclo de tirania e isso tolheria o surgimento de uma democracia.
Ademais, acontece uma estupenda falta de confiança da sociedade em relação aos seus governantes. Sob esse prisma, segundo o G1, votos nulos, brancos e abstenções passam de 30% nas eleições de 2018. Analogamente, na obra “Ruptura: a crise da democracia liberal”, de Manuel Castell, o sociólogo diz que a sociedade não identifica-se mais com os seus governantes, por isso existe uma ruptura, uma quebra, assim, a população não percebe mais em seus representantes uma vontade genuína de representa-los de fato. Com isso, nota-se um sentimento de insatisfação geral que paira sobre a população do Brasil em relação aos seus governantes, desse modo, a condição aludida é terrível para o país, pois se eleito algum político que não representa o povo de fato, será um representante falso, sem sentido e sem credibilidade.
Portanto, ações fazem-se necessárias para mitigar as possibilidades de retirarem o direito ao voto. Para que a população tenha consciência da problemática, urge que o Ministério da Justiça altere a Constituição Cidadã, por meio de patrocínio estatal, colocando um artigo extra que proíbe de maneira fixa e definitiva uma cassação do direito ao voto, dessa forma, a sociedade estará mais segura para usufruir da sua liberdade de expressão e escolha. Somente assim, o quadro atual será sanado, evitando um esfacelamento da democracia análogo ao retratado em “Como as democracias morrem”.