ENEM 2002 - O direito de votar
Enviada em 23/10/2020
A partir de 1984, com o movimento conhecido como “diretas já”, a democracia brasileira voltava a dar seus pequenos passos. A possibilidade de uma democracia representativa em um período de pós repressão trouxe uma grande quantidade de novos partidos políticos e de novos ideais para a política brasileira. Apesar de existir a participação social no processo eleitoral, no passar dos anos, com o desinteresse e afastamento da população de idade mais jovem pelo sistema político, criou-se um ponto de frágil apoio para mudanças, visto que a política é a mesa central para que ocorram alterações substanciais na sociedade.
Segundo o Artigo 14 da constituição de 1988, é informado a obrigatoriedade do voto direto e secreto para pessoas acima de 18 anos. Ao relacionar a necessidade de votar com a população mais jovem que está entrando no mundo da política, e respectivamente com o não interesse por este, cria-se um âmbito no qual uma parcela desta população trata o voto obrigatório não de modo a exercer a democracia e fazer sua voz ser ouvida, e sim apenas como o voto no candidato que teve uma melhor performance oral.
Outro ponto que favorece o não interesse são ações políticas onde existe a tentativa de intervir e impedir que assuntos relacionados a política sejam debatidos em ambiente escolar, como é o caso do movimento chamado de “escola sem partido”, que ficou famoso e gerou debates durante o ano de 2015. Nele é impedido que exista uma pluralidade de ideias, tratando assuntos como política e história passem a ser considerados como uma “doutrinação” por parte dos professores. Ao cortar esse vínculo do aluno com a política em sala de aula, é deixado como que de maneira única o aprendizado por casa ou, o que é mais recorrente, a não procura sobre o assunto pelo aluno.
O desinteresse pela política deve ser combatido para que a democracia se conserve cada vez mais forte. Para esse fim, é necessário que ocorra um fortalecimento e uma melhor participação da sociedade na política, fazendo com que se crie interesse desde cedo nas famílias, o que acarretará em debates e a uma percepção da importância da representação política. Cabe também ao ministério da educação uma reformulação do currículo escolar, possibilitando que haja uma melhor educação sobre política e incentivo para que o aluno possa buscar seus direitos, além de dar uma maior representatividade aos grêmios estundantis. Dessa maneira, com o apoio do Estado, de uma participação ativa da sociedade e do colégio, é possível mudar e promover transformações sociais pela participação política.