ENEM 2002 - O direito de votar

Enviada em 24/10/2020

A luz democrática

No século XVIII, a Revolução Francesa possibilitou uma grande mudança ideológica em comparação ao Absolutismo. Nesse contexto, os pensamentos Iluministas de “Liberté, Égalité, Fraternité”, apesar da coalizão da Santa Aliança, culminaram em um processo histórico que resultou em diversas conquistas, tal qual o direito ao voto. Por outro lado, um dos desafios de uma democracia representativa é garantir transformações sociais por meio das eleições. Dessa forma, a transparência no procedimento republicano é essencial para que a vontade popular seja atendida.

Segundo o filósofo Immanuel Kant, o homem não é o meio pelo qual se atinge um objetivo, mas sim, a finalidade de uma decisão. Tendo isso em mente, é válido ressaltar que atos cometidos por pessoas mal-intencionadas dentro ou fora da mídia, como notícias falsas, manipulação, violência de pensamento e sensacionalismo, deslegitimam a escolha dos governantes porque utilizam a opinião humana para obter fama, dinheiro e poder. Sem dúvida, o pretendente preferido nessas condições não agirá de acordo com o sentimento do povo.

Primordialmente, o conhecer o concorrente eleitoral por parte do votante é a garantia da expressão do desejo público, bem como evita ocorrências como as do livro “Quarto de Despejo”, no qual a autora relata a vinda de caravanas na favela fazendo inúmeras promessas e esquecendo da pobreza durante o mandato. Em virtude disso, é necessário a centralização das campanhas políticas dos aspirantes ao Estado utilizando a “internet”, criando um novo ambiente “online” que não afeta a autonomia dos meios de comunicação, ou seja, o eleitor só confiaria em terceiros opcionalmente.

Assim, cabe ao Ministério da Justiça, em articulação com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), através de recursos da União, criar uma aplicação “web” onde cada candidato informa seus planos de governo, sua biografia, o porquê do interesse de trabalhar em um cargo público e seus gastos de campanha. Diante disso, o voto poderá ser mais confiável e as mudanças que a população almeja ficarão mais possíveis, posto que uma consulta rápida traria o contraste necessário para diferenciar as boas propostas das ruins e a revelação das “fake news”. Em suma, será a evolução da luz democrática do fim do século XVIII.