ENEM 2002 - O direito de votar

Enviada em 24/10/2020

Segundo o importante literato inglês, Aldous Huxley, “Os fatos não deixam de existir só porque são ignorados.” Nessa esteira de pensamento, podemos suscitar discussões sobre o direito de votar: como fazer dessa conquista um meio para promover as transformações sociais de que o Brasil necessita?; como tema que apesar de ser um grande problema, muitas vezes invisibilizado no país, ele repercute em diversas áreas sociais. Ademais, essa problemática é de grande relevância não só para os órgãos competentes mas também para todo um corpo social, que, de algum modo, é afetado direta ou indiretamente por essa incômoda situação. Esse fato se dá pela falta de representatividade do Estado e pela falta de indignação da sociedade.

Ao analisar o cerne da questão, vê-se que a não valorização da política no contexto brasileiro comporta-se como uma chaga social no pais. Para o ex-primeiro-ministro britânico Clemente Atllee, “a democracia não é apenas a lei da maioria, mas a lei da maioria respeitando o direito das minorias.” Nesse sentido, entende-se que o candidato elegido deve agir de modo democrático e representar toda a população e não somente um grupo social. Entretanto, o que se observa na sociedade brasileira contemporânea é que o aspirante eleito representa alguns grupos sociais - geralmente os mais ricos - em detrimento das minorias mais pobres. Dessa forma, muitos não se dirigem até a urna eleitoral, pois não são assistidos pelas autoridades que os suprimirem com promessas falsas e vazias, sendo essa situação repetida em vários anos.

Além disso, a omissão desses fatos pela sociedade e pelas instituições governamentais traz prejuízos para todo um corpo social. Conforme Oscar Wilde, ”a insatisfação é o primeiro passo para o progresso de um homem ou uma nação”. Desse modo, o direito de votar deve ser usado de forma a mostrar a indignação da população para com os governantes que não fazem o seu papel e prejudica a sociedade. Dessa maneira, cobrar do administrador melhorias na sociedade.

Pela observação dos aspectos analisados, cabe ao Estado, como gestor dos interesses coletivos, criar mecanismos para que o voto seja incentivado, por meio de maior representatividade à todos grupos sociais e atentar para aquilo que a população diz e precisa, a fim de modificar o voto em um transformador social. Somando a isso, compete à sociedade, criar novos paradigmas éticos acerca desse problema, por meio de mobilizações nas redes sociais, com o propósito de exigir mais dos candidatos. Sendo assim, a fala de Huxley não fará mais sentido na sociedade brasileira.