ENEM 2002 - O direito de votar
Enviada em 26/10/2020
Desigualdade social que figura como uma das maiores do mundo (com Coeficiente de Gini de 0,515), falta de saneamento básico adequado e educação de má qualidade. Essas são algumas das problemáticas que estão presentes na realidade tupiniquim. Contudo essa situação não harmoniza com o fato de que é a própria população, através do voto, quem decide os rumos do país. A fim de que tal conquista venha a resolver as questões sociais que urgem ser enfrentadas, é necessário que o voto seja valorizado como merece, além de ser utilizado com maior criticidade.
Num primeiro aspecto, o voto deve ser entendido como uma conquista obtida por meio de árduas penas, e não como simples objeto de venda para políticos. Caso contrário, as consequências para o país como um todo são nefastas, pois o eleitor deixa de utilizar esse direito como instrumento de transformação social, inclusive de mudança da própria condição, para trocá-lo por um mero paliativo para a sua miséria. Poder-se-ia questionar essa afirmação, argumentando que a situação é de tal forma complicada que esse artifício é a alternativa que resta para essas pessoas, mas a escolha por soluções fáceis e imediatas piora o problema. Para transformações realmente substantivas, apenas o exercício pleno da cidadania, com projetos que visem o bem do povo.
Num segundo âmbito, mesmo quando o voto é enxergado com a sua real importância, muitas vezes a escolha pelo candidato é mais guiada por paixão política do que por interesse nas propostas de campanha. Para entender tal questão, é pertinente considerar o conceito de democracia delegativa, do cientista político Guilhermo O’Donnell. Analisando a tradição de países como a Argentina e o Brasil, o argentino chegou à conclusão de que existe uma tendência para o eleitor fazer a sua escolha buscando um líder carismático e delegar a ele o direito de fazer o que bem entender em seu posto. O costume citado, por óbvio, traz péssimos frutos, como até mesmo tomar por aceitáveis atos de corrupção. Logo, maior critério para quem vai eleger os seus representantes é condição “sine qua non” para o progresso.
Em epítome, a condição paradoxal que envolve a situação do povo e o fato de ser ele mesmo que decide os destinos do país deve ser superada através da valorização do voto, além do uso de critério para a escolha dos mandatários dos cargos públicos. Assim, é fulcral que o Ministério da Educação faça políticas públicas juntamente à Justiça Eleitoral de modo que seja ensinado, nas escolas quer públicas, quer privadas, o processo de obtenção do direito do voto, com o fito de mostrar a sua relevância desde cedo para as pessoas. Por fim, é necessário que a criticidade seja estimulada na sociedade, mormente com políticas educacionais, além de comercias televisivos da já citada Justiça Eleitoral que visem alertar a população sobre os perigos de escolhas mal feitas nas urnas.