ENEM 2002 - O direito de votar
Enviada em 30/10/2020
Na antiguidade clássica, a pólis grega destacou-se por ter uma democracia direta, contudo, tal modelo só permitia que parte da população participasse do jogo político. Saindo da história e observando a democracia brasileira atual, compreende-se esta como mais abrangente, mas, ainda assim, com pontos fracos impedidores de transformações sociais importantes. Diante disso, denuncia-se o direito de votar corrompido, principalmente, por uma antiga e perversa manipulação de muitos eleitores, somada à uma educação cidadã majoritariamente precária.
Convém ressaltar a princípio, a intervenção maliciosa nas eleições brasileiras como um grande empecilho social. Nesse sentido, embora a participação política seja universal e o voto de cabresto considerado um crime no Brasil, é comum a compra de eleitores nas disputas políticas, principalmente, nos interiores dos estados, onde candidatos mal intencionados usam as necessidades básicas da população carente (caminhão pipa, cesta básica, remédios) como moeda de troca - conforme matéria divulgada pelo documentário Profissão Repórter. Esse contexto lamentável é, parafraseando Carlos Drummond, “uma pedra no meio do caminho” de uma democracia representativa dos interesses públicos, tal qual afirma a constituição brasileira e ele precisa ser urgentemente mudado.
Outrossim, vale ressaltar como o estudo da cidadania é ineficiente na formação dos futuros eleitores. Sobre essa perspectiva, a maioria das escolas, em especial as públicas municipais, funcionam com uma estrutura precária, o desfalque de professores e materiais insuficientes para elucidar os discentes a respeito de como e por qual motivo saber escolher bem seus representantes políticos. Tal realidade contradiz os preceitos de uma educação libertadora e acarreta na criação de cidadãos manipuláveis pelos interesses políticos, havendo, assim, a manutenção das condições socioeconômicas desiguais do país.
Em suma, faz-se inadiável a tomada de medidas atenuantes aos impasses abordados. Urge, pois, ao Ministério da Educação em parceria com a Polícia Civil combaterem a manipulação dos votos e o desconhecimento constitucional da população, por meio de uma plano nacional de conscientização e fiscalização a ser realizado em todas as escolas públicas e privadas. Tal projeto deve ser materializada na ministração de palestras para os alunos e familiares sobre como impedir a compra e venda do voto mediante denúncia anônima, bem como a importância de eleger políticos de maneira crítica. Espera-se, com isso, retirar as pedras do caminho para a promoção das transformações sociais necessárias para otimizar a vivência no Brasil.