ENEM 2002 - O direito de votar

Enviada em 30/10/2020

Platão, em sua obra “A República”, deixa claro seu posicionamento contra o sistema democrático, sistema pelo qual Sócrates foi condenado por influenciar o pensamento reflexivo em Atenas. Para Platão, a Democracia era ineficaz, pois era coordenada por homens irracionais. Analogamente, vê-se, no Brasil, uma democracia que ainda é falha, não atingindo a finalidade de resolução de problemas e evolução social por meio da representatividade eleitoral. Essa realidade pode ser entendida pela problemática do incompleto conhecimento sobre os candidatos por parte de seus eleitores, além da falta de cobranças aos elegidos após as eleições.

Nesse sentido, observa-se um sentimento de decepção depois das eleições, por grande parte dos eleitores, relacionado aos candidatos elegidos. Concordante a esse fato, para Max Weber, na ação social tradicional o indivíduo age por impulsos, de acordo com crenças enraizadas em sua cultura, sem estudar de modo racional suas atitudes. Nessa ótica, infere-se que a escolha de candidatos sem buscar conhecê-los de modo mais efetivo, tornou-se uma tradição para a maior parte da sociedade, que age dessa forma sem verdadeiramente racionalizar suas escolhas. Desse modo, é possível entender que essa problemática relaciona-se tanto ao fato do eleitor não conhecer, efetivamente, o candidato em que pretende votar, quanto à falsa imagem que muitos candidatos procuram passar em seus comícios.

Outrossim, torna-se visível a falta de cobrança aos candidatos eleitos por seus eleitores, como um importante fator para a falha do sistema democrático em alcançar sua finalidade social. Haja vista que a Democracia Representativa instituída em nosso país visa o acompanhamento próximo e constante pelos eleitores nas decisões tomadas pelos políticos eleitos, além de cobranças impostas a esses quando suas atitudes não condizem com suas propostas políticas antes apresentadas. Contudo, observa-se em nosso sistema político uma tendência à “Democracia da Confiança”, em que o eleitor, com poucas informações, decide por um candidato, o elege e nele confia para resolver todos os problemas, sem acompanhar o trabalho que está sendo realizado pelo elegido, e sem impor cobranças quando esse não promove as mudanças prometidas.

É necessário, portanto, que a Justiça Eleitoral, por meio da mídia televisiva e das redes sociais, elabore propagandas incentivadoras, as quais deixem claro a importância de conhecer a fundo o candidato que pretende-se eleger. Ademais, o Poder Legislativo deve sancionar medidas que viabilizem, ainda mais, a forma como os eleitores acompanham as ações dos elegidos, como a publicação de atualizações, nas redes sociais, do cenário político interno. Para que dessa forma, se torne viável a evolução social necessária por meio da Democracia Representativa.