ENEM 2002 - O direito de votar

Enviada em 30/10/2020

A partir do século XVIII, os ideais Iluministas começaram a alcançar proporções mundiais. E um desses ideais era o voto universal, que só foi efetivado no Brasil durante o século XX, com a Constituição Federal de 1988. Esse fato chama a atenção porque - embora qualquer pessoa maior de idade possa votar - depois de 30 anos de exercício da cidadania, a parcela pobre da população parece ainda não ter conseguido representatividade perante o Poder Público, dadas as condições de vida da maioria do povo brasileiro.

Em um primeiro momento, é importante reconhecer que a Constituição Cidadã não recebeu esse nome de forma indevida. Pois, além de preconizar a igualdade entre homens e mulheres, o repúdio e punição ao racismo e a liberdade de crença e de opinião, a atual Constituição possibilitou o “sufrágio universal” e deu aos brasileiros a chance de construir um país que seja mais justo e humanitário. Entretanto, a soberania popular parece não encontrar representantes que respeitem a lei e visem o interesse público: segundo o IPC (Índice de Percepção de Corrupção), o Brasil está entre os 80 países mais corruptos do mundo (nota 35 de 100).

Em um segundo momento, é válido refletir sobre o porquê de tamanho descaso e indolência de muitos políticos brasileiros. Desde a chegada dos portugueses, há relatos de medidas antiéticas e imorais tomadas pelos governantes. Um exemplo disso é uma carta de Pero Vaz de Caminha endereçada ao rei de Portugal, na qual constava uma solicitação de envio de seu genro, para administrar as terras recém-encontradas. Com isso, o favorecimento próprio passou a ser uma  tradição histórica aqui no Brasil, que se repetiu durante todo o período imperial - e acontece até hoje.

Tendo em mente o que foi discutido, fica evidente que apenas poder votar não muda quase nada em uma sociedade, pois é necessário representatividade para o completo exercício da cidadania. Dessa forma, é premente para o sistema educacional brasileiro preparar os jovens não só para o voto consciente, mas também para exercer cargos públicos de forma honesta, altruísta e impessoal; somente assim conseguir-se-ão transformações positivas na vida do povo.