ENEM 2002 - O direito de votar

Enviada em 01/11/2020

O direito ao voto no Brasil só foi universalizado na Constituição de 1988, o que demonstra a dificuldade em alcançar a igualdade de direitos e o tamanho da sua importância, não somente para o desenvolvimento da democracia, como também para o avanço da sociedade. Entretanto, ao mesmo tempo que esse direito é a chave para promover mudanças na sociedade, ele é banalizado pelos brasileiros, em especial pelo público jovem, que não estão devidamente conscientizados acerca da importância do voto para a concretização das transformações sociais do país.

Sabe-se que a obtenção pelo voto universal no Brasil é uma conquista recente. Porém, infelizmente, esse direito não tem sido suficientemente aproveitado. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas que votaram com idade entre 16 e 18 anos - idade em que o voto é opcional - caiu cerca de 14% nas eleições de 2018 quando comparado à 2016. Já nos Estados Unidos da América (EUA), onde o voto não é obrigatório, a maioria dos cidadãos com menos de 30 anos não exercem esse direito. Logo, depreende-se que o Brasil apresenta um cenário análogo ao dos EUA, quando diz respeito à não obrigatoriedade do voto.

Dessa forma, ainda considerando os dados supracitados, pode-se concluir que grande parte da população jovem, independentemente da nação, quando é isenta da obrigatoriedade do voto não tem interesse em executá-lo. Tal desinteresse é um problema, pois a sociedade depende das decisões dos cidadãos mais novos, haja vista que eles serão responsáveis pelo futuro, sendo de suma importância, além disso, o entendimento sobre todos os benefícios propiciados quando a escolha dos representantes é feita de maneira criteriosa, visando a melhora do país democraticamente, ao ter conhecimento dos direitos.

Assim sendo, medidas são necessárias para resolver o impasse. É de suma importância que o Ministério da Educação (MEC) juntamente com os profissionais formados em direito, elaborem palestras que deverão ser ministradas nas escolas a respeito da necessidade de votar mesmo na juventude, além de ressaltar que deve-se escolher bem seus representantes, já que eles serão os agentes responsáveis pela tomada de decisões vividas por nós durante todo o mandato. Em síntese, será possível desenvolver conhecimento a partir da educação desde cedo, ao ensinar que o direito ao voto não deve ser visto como obrigação, mas sim como um meio de promover mudanças. Corroborando, desta maneira, para formação de uma sociedade mais consciente e, consequentemente, exigente quanto à concretização de mudanças relevantes com viés democrático proporcionado pelo direito ao voto desde a idade mínima.