ENEM 2002 - O direito de votar
Enviada em 30/10/2020
A democracia brasileira
“O Brasil não tem povo, tem público”, nessa frase, Lima Barreto retrata a característica passiva dos brasileiros em relação às mudanças políticas. Isto é, diferentemente das grandes revoluções as quais chacoalham o status quo, no Brasil, há apenas rearranjos políticos entre as elites. Deste modo, a democracia nasce defasada, pois nela é necessária a ambição de mudança por meio do voto, o qual só é efetivamente útil quando exercido pelo povo, não pelo público.
Assim, na história, há diversos episódios os quais relatam enormes mudanças: o monarca Luís XIV usufruiu de privilégios que seriam rigidamente cobrados no Governo de seu neto. Ou seja, por mais que tenha demorado duas gerações, a queda de Luís XVI marcou o fim de uma estrutura absolutista e o início da formação liberal. Porém, no Brasil, as trocas na forma de governo, ao invés de refletirem mudanças de fato, são frutos dos interesses das elites, por exemplo: a colônia escravista e rural continuou escravista e rural no império e perpetua o racismo e a dependência agrária até os dias de hoje.
Outrossim, a democracia brasileira é muito jovem e defasada em relação ao poder do voto. A primeira ampliação da margem eleitoral ocorreu na república velha, há cerca de 130 anos, onde o voto era aberto e exaustivamente fraudado, o que causava margens vitoriosas absurdas, próximas de 90%, como no caso da eleição do presidente Campos Salles. Ou seja, exercido sob ameaças e fraudes, o exercício do “voto” era inútil, era apenas uma abstração criada pelo novo regime republicano. Além do mais, a função do voto não se limita apenas a ação de escolha do candidato, votar é cobrar, supervisionar e exigir mudanças dos candidatos eleitos.
Portanto, evidencia-se a passividade brasileira, retratada pela frase de Lima Barreto, e a incompletude da ideia do poder do voto. Assim, é necessário que a família instrua os jovens por meio da educação domiciliar a identificarem seus papéis de cidadãos. Dessa maneira, a juventude exercerá o direito do voto de maneira ativa, como povo. E apenas o povo pode transformar o voto em mudança.