ENEM 2002 - O direito de votar

Enviada em 30/10/2020

Votar é um pressuposto para toda democracia. Porém, não significa que todos poderão exercer esse direito, em alguns casos injustificadamente. Haja vista que o modelo clássico desse sistema político, da Grécia antiga, só poderiam cumprir esse papel de cidadão somente homens acima de 21 anos e com determinada quantia de propriedade. Indubitavelmente, o sufrágio deve ser universal para que seja possível efetivar um governo que de fato venha a ser do povo, assim como estipula o título “democracia”. Portanto, se faz necessário efetivar a eficácia dessa garantia constitucional, com sua finalidade mais nobre que é promover o bem comum.

Primeiramente, vale ressaltar, que se encontra previsto na Constituição Federal de 1988 que todo poder emana do povo. Assim, percebe-se que não se trata de uma ordem política voltada para o interesse de poucos, mas sim de todos. Embora seja de difícil concretização, pois como já afirma Aristóteles “o homem é um animal político”, e em meio a isso poder se deparar com uma organização pautada em conflito de interesses, estes devem ser mediados para que sejam evitados prejuízos à sociedade. Por essa razão, o voto é um direito de alta importância para a coletividade e deve ser exercido de forma consciente e direcionado em uma estratégia que beneficie a sociedade como um todo, e não mero desejo pessoal. Afinal, pouco adianta se atualmente não há rigidez criteriosa para ir à urna, se isso não for realizado da maneira mais racional possível.

Dessa forma, consequências marcantes podem se evidenciar em uma acentuada polarização política, de modo que o intenso conflito ideológico partidário possa comprometer uma conquista consistente do bem comum. A partir disso, pode decorrer o surgimento de intolerância e até mesmo xenofobia, o que vem a ser irônico por se tratar de uma democracia. Já que esta tem em sua estrutura a característica de ser aberta à diferenças e a não obrigatoriedade de unidade ideológica. Perante esse cenário, é plausível identificar suas causas. Por dedução, nota-se que o desafio em questão está relacionado na conscientização política e até mesmo educacional, tendo em vista que o voto é um exercício da vontade baseado na construção individual das pessoas. Sendo então, o déficit na educação uma das principais causas para uma desestruturação na utilização consciente do voto.

Diante do exposto, verifica-se a urgência de mudanças na relação entre cidadão e poder político. Por esse motivo, cabe ao Presidente da República instituir projetos federais de educação sobre ciência política, que busque instigar o senso crítico e o debate entre seus usuários. Para tanto, é necessário que seja sediado em cada unidade federativa e de forma gratuita, instalado no espaço físico de escola pública e difundido pelos principais canais de comunicação da TV aberta de todo o Brasil.