ENEM 2002 - O direito de votar

Enviada em 28/10/2020

No limiar do século XX, com o início dos movimentos sufragistas, o voto feminino foi obtido por inúmeras manifestações e passeatas que consolidaram esse direito universal. Desse modo, a mudança social possibilitou maior participação da população na democracia e progrediu a igualdade de gênero. Nessa lógica, consoante à conquista do voto feminino como ato de modificação da sociedade, atualmente no Brasil, há presença de dúvidas se o direito de votar ainda consegue promover alterações na federação brasileira. Tal problemática está associada ao desinteresse dos brasileiros nas questões políticas e na manipulação dos eleitores por meio das “Fake News”.

Primeiramente, segundo Platão, “não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, apenas serão governados por aqueles que gostam”. Nesse sentido, a máxima feita pelo filósofo grego, retrata que o mundo é formado por relações políticas, e toda a sociedade é fortemente afetada por essa organização. Entretanto, o vínculo entre tal instituição e a população brasileira, se deteriora, visto que grande parte desse setor não apresenta interesse no campo político, dificultando o diálogo entre esses dois termos. Outrossim, segundo o jornal “Gazeta do Povo”, a falta de investimentos nas várias esferas sociais, como, por exemplo, saúde, educação e segurança intensificam o desinteresse na política, por se sentirem desamparados pelo poder cuja função seria protegê-los. Nesse sentido, a dúvida se o ato de votar ainda consegue alterar a política brasileira ainda é predominante.

Por outro lado, é importante abordar que durante o período da república velha, os cargos governamentais eram restritos à elite (composta, principalmente, por coronéis). Destarte, o coronelismo possuía o objetivo de se manter no poder, por sabotagens nas eleições, como o voto de cabresto. Dessa maneira, os coronéis manipulavam os eleitores, de modo que instauravam violências físicas e psicológicas caso não votassem no candidato “correto”. Analogamente à época, inúmeros políticos e partidos tentam adulterar resultados ou disseminar informações falsas para moldar as opiniões dos usuários da internet (principal meio de propagação). Assim, para os votantes, os fatos verídicos têm menos importância ao moldar a opinião pública do que apelos emocionais e crenças pessoais. Logo, urge a necessidade de mitigar a problemática.

Portanto, é dever das instituições escolares, por meio de palestras e atividades lúdicas, incentivar o senso crítico dos estudantes, com o auxílio de professores de história e filosofia, para explicar sobre a política vigente no Brasil e incentivar o pensamento próprio. Assim, os futuros eleitores poderão votar com mais consciência e obter interesse pela política. Logo, eles poderão promover alterações na federação brasileira, assim como as sufragistas conquistaram o direito delas.