ENEM 2002 - O direito de votar
Enviada em 29/10/2020
É de conhecimento geral, o fato de que o voto é um dos instrumentos civis mais importantes já conquistados pela massa popular. Ele permite que o cidadão possa definir indiretamente, pelo menos no Brasil, os futuros da república, priorizando a solução dos problemas populares, em detrimento da valorização dos privilégios de classes sociais específicas, fazendo jus ao significado da palavra latina Res Publica: coisa pública. No entanto, o voto requer maturidade e consciência política, características que se mostram geralmente ausentes no povo brasileiro, que costuma votar por partidarismo ou afinidade, elegendo assim, candidatos que demonstram descaso para com os assuntos populares.
O voto é um ato democrático, entretanto, nem sempre as democracias permitiram o voto universal. Atenas, por exemplo, a primeira democracia da história, só permitia o voto dos chamados cidadãos, que eram, aproximadamente, 10% da população da cidade-estado, como explica o livro “A ascensão de Atenas”, do autor Anthony Everitt, deixando de lado cerca de 90% dos atenienses. Já no caso brasileiro, o sufrágio universal foi exercido pela primeira vez somente nas eleições de 1989, antes disso, o voto era censitário, ou seja, restrito às classes sociais mais altas, deixando-se de lado a população pobre, mulheres, índios e analfabetos.
Mesmo após a importante conquista do voto universal no Brasil, a democracia e a república seguem privilegiando certas classes sociais, em detrimento de outras. Isso se dá, principalmente, pelo fato da maioria dos brasileiros não se importarem com as eleições, como é comprovado por uma pesquisa da revista Época, que mostra que cerca de 62% dos brasileiros não se importam com política, e somente 10% afirmam buscar informações sobre os candidatos. Isto deixa o povo a mercê de candidatos despreparados para agirem como agentes públicos de qualidade.
Dado esses fatos, reconhece-se que o Brasil nunca conseguirá solucionar seus principais problemas sociais enquanto o povo continuar na ignorância quando o assunto é política. Sendo dever do governo federal, principal defensor da democracia brasileira, em parceria com o ministério da educação, garantir ao povo o direito de conhecimento e amadurecimento político desde suas idades mais tenras, em aulas de educação política nas escolas. Garantindo-se assim, a soberania popular, através do sufrágio universal, como é prevista na Constituição Federal, no artigo 14.