ENEM 2002 - O direito de votar

Enviada em 31/10/2020

“A política é uma ferramenta para a resolução de conflitos sem o uso da violência”. Tal frase de Marilena Chaui abre discussão acerca do direito ao voto e de como essa conquista pode promover as transformações sociais necessárias ao Brasil. É fato que ele permite o exercício pleno da cidadania. Contudo, a falta de engajamento político da população e a corrupção desenfreada impedem-no de alcançar seu objetivo.

Ressalta-se, em primeiro plano, a existência de um desinteresse dos brasileiros em participar de debates sobre assuntos públicos. Dito isso, é preocupante pensar na omissão de iniciativa, já que a partir do voto os cidadãos podem defender seus interesses em comum e assegurar seus direitos constitucionais. Caso não haja prudência na escolha de seus representantes, os indivíduos estarão prejudicando a nação como um todo. Exemplo dessa irresponsabilidade relativa ao sufrágio é a tendência do povo a votar em figuras populistas, como Collor, pelo seu carisma em detrimento de suas propostas.

Cabe mencionar, em segundo plano, que o descrédito nos candidatos ao sistema eleitoral leva o povo a subestimar o poder do voto. Entretanto, os últimos esquecem que está é a única forma de impedir o domínio da minoria sobre a maioria e de assegurar o desenvolvimento de uma sociedade democrática. Destarte, é importante frisar o papel das Diretas Já e, consequentemente, da Constituição de 1988 na obtenção da participação popular nos assuntos referentes ao país e aos rumos a serem tomados nas áreas da saúde, educação e economia.

Infere-se, portanto, que, para a ocorrência de transformações sociais no Brasil, faz-se imprescindível que os cidadãos estejam cientes de seu papel como ser coletivo, buscando sempre o bem comum. Pra que isso ocorra, é imperiosa uma ação do Estado por meio da adição de uma matéria sobre debate à grade curricular do Ensino Fundamental. Nela, os alunos serão ensinados a defender e ouvir opiniões a fim da formação de indivíduos dotados de senso crítico. Assim, os conflitos serão resolvidos sem o uso da força conforme as palavras de Marilena Chaui.