ENEM 2002 - O direito de votar
Enviada em 30/10/2020
“Cale-se”
Ao longo da história nacional, ocorreram inúmeros momentos e formas de insatisfação política e social. Houve momentos em que a insatisfação chegou à urna eleitoral. Antes de 1996, as cédulas de votação ainda eram de papel, o que permitia que o indivíduo pudesse votar em quem quisesse – até mesmo candidatos que não existiam. Em análise o voto possui uma longa trajetória no Brasil. Nem sempre, ele foi sinônimo de democracia, tendo em vista que foi adotado tanto em momentos de repressão e exclusão política, quanto em momentos politicamente mais abertos e democráticos.
Em primeira análise a música Cálice foi escrita em 1973 por Chico Buarque e Gilberto Gil, sendo lançada apenas em 1978. Segundo site “politize!”, devido ao seu conteúdo de denúncia e crítica social, foi censurada pela ditadura, sendo liberada cinco anos depois. Cálice se tornou num dos mais famosos hinos de resistência ao regime militar. Trata-se de uma canção de protesto que ilustra, através de metáforas e duplos sentidos, a repressão e a violência do governo autoritário.
De todo modo, é praticamente impossível imaginar uma democracia sem voto. E para garantir a efetividade desse mecanismo, é essencial que o processo eleitoral seja idôneo, limpo e transparente. Contudo, momentos como a República Velha (1889-1930) exemplificam muito bem a necessidade de um processo que de fato garanta a liberdade de expressão da população. No Brasil contemporâneo, ainda que questionada, a urna eletrônica, junto com todo o restante do processo eleitoral, que inclui tribunais de justiça especializados (Tribunal Superior Eleitoral e Tribunais Regionais Eleitorais) - mostra que sistema eleitoral avançou muito e é considerado modelo internacional.
Assim é necessário entender que, para além de um bom processo eleitoral, é preciso haver bons eleitores. O longo caminho percorrido para garantir o sufrágio universal, secreto e para cargos do executivo e do legislativo só será válido se cada eleitor tiver a consciência da seriedade e importância do seu voto, e de conhecer melhor os candidatos e as instituições políticas do país. De acordo com Aaron Beck, nascido nos EUA, formou-se em medicina e especializou-se em psiquiatria, disse: “Corrigindo crenças equivocadas, podemos minimizar reações exageradas.”