ENEM 2002 - O direito de votar
Enviada em 31/10/2020
A democracia direta vigorava na Grécia antiga, em destaque para Atenas, modelo no qual os cidadãos deliberavam publicamente acerca das questões sociais. Nesse sentido, no espaço denominado ágora, os indivíduos direcionavam o governo em prol da comunidade, levando em consideração as distintas proposições. Todavia, no Brasil, o sistema operante é o da democracia representativa, em que os civis maiores de dezesseis anos podem, por meio do voto, eleger os governantes. Nesse sentido, a fim de promover transformações na sociedade, é necessário escolher líderes que tenham por objetivo o desenvolvimento de projetos que visem à melhoria do status quo.
A época de mudança no quadro político do país é marcada pela disseminação de campanhas eleitorais, com o fito de promover os candidatos. Desse modo, planos de governo são, comumente, apresentados nos canais de comunicação tais como rádio, televisão, jornais e internet. Entretanto, o eleitor deve ater-se não somente ao período do voto, como também, às atividades desempenhadas nos anos antecedentes pelo concorrente ao cargo. Com isso, tendo em vista as medidas efetivas tomadas no passado pelo indivíduo a ser escolhido, as chances de eleger aquele que impulsionará avanços sociais aumenta.
Outrossim, após eleitos os representantes, é preciso que haja cobrança pelos projetos que tenham como centro os avanços. Segundo o filósofo francês Michel Foucault, o monopólio do poder não está atrelado exclusivamente ao Estado, mas sim, às diferentes esferas da sociedade. Tal como afirmado pelo teórico mencionado, os civis exercem poder em conjunto com as forças oficiais e, através de reivindicações por meio de movimentos sociais via mídia ou manifestações presenciais, é possível desencadear mudanças significativas. A exemplo disso, o levante estudantil intitulado “Caras pintadas”, de 1992, objetivava a saída do presidente do ano citado, o qual acabou por renunciar.
Diante do exposto, a fim de destacar a importância do voto como forma de influenciar mudanças no status quo, urge a tomada de medidas. Para isso, é dever do Ministério da Educação, em parceria com as secretarias municipais, ampliar a discussão do tema nas instituições de ensino, fazendo-o mediante a expansão da grade curricular e ofertando aulas adicionais de Sociologia no contraturno, de modo a oferecer a oportunidade de o aluno expandir seus conhecimentos acerca do voto e da possibilidade de promover mudanças através da escolha coerente dos líderes e, também, da exigência do cumprimento dos planos de governo. Tomadas as medidas cabíveis, tanto os frequentadores das redes de ensino quanto seus respectivos núcleos familiares acrescentarão conhecimento acerca da potência da escolha dos representantes enquanto transformadores sociais.