ENEM 2002 - O direito de votar
Enviada em 04/06/2021
Na Grécia Antiga, a democracia direta surgiu como uma forma de maior atuação dos indivíduos nas questões estatais. Dessa maneira, à medida que deliberavam na Ágora, praça pública para a reunião dos cidadãos, eles foram conquistando maior representatividade e inclusão política. Com o tempo, houve a ampliação da cidadania no mundo todo, inclusive no Brasil. Assim, ocorreram transformações sociais, as quais auxiliaram na visibilidade de grupos menos favorecidos e na sua conquista de espaço na sociedade. Todavia, isso não foi suficiente para acabar com a marginalização e com o autoritarismo governamental, devido à carência de informações relevantes e à força dos líderes políticos.
Em primeiro lugar, é importante destacar a persistência da exclusão digital como a principal causa do problema. Nesse âmbito, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 20% dos brasileiros não têm acesso à internet, uma das maiores veiculadoras de notícias. Por conseguinte, essas pessoas não conseguem pesquisar e conhecer melhor os candidatos em eleições, o que dificulta a escolha de representantes com os quais elas se identificam. Tal realidade favorece a máxima de Thomas Hobbes de que o homem é o lobo do homem, ou seja, ele é uma ameaça à própria espécie, já que não há esforços ou movimentação por parte dos outros 80% para que ocorra a democratização do acesso ao ambiente digital e a maior participação das minorias.
Outrossim, constata-se que representantes populares que têm carisma e que conseguem convencer a população de que eles são o caminho para a mudança conquistam maior força política e facilidade para impor o autoritarismo. Nesse viés, o Estado Novo de Getúlio Vargas é um grande exemplo, tendo em vista que foi um governo ditatorial, no qual houve censura e repressão de opositores. Além disso, outra representação desse problemática é o livro “1984”, de George Orwell, em que o líder comandava e sabia de tudo pelo uso de câmeras em todo o território. Por conseguinte, tanto os casos reais quanto a ficção demonstram o risco democrático em governos como os citados, pois os cidadãos não podem se expressar ou tomar suas próprias decisões, sendo constantemente repreendidos.
Observa-se, portanto, que a desinformação e a concentração de poder apresentam uma ameaça à democracia no Brasil. Destarte, é necessário que o governo atue na criação de políticas públicas para a maior participação cidadã na construção nacional. Isso deve ser feito por meio da instalação de centros informáticos com computadores gratuitos e acesso às mídias sociais em todas as regiões do país, a fim de que os indivíduos possam obter dados concretos e formar uma opinião própria acerca de seus representantes e do cenário político brasileiro. Somente assim, será possível promover a inclusão, evitar futuros golpes e, desse modo, continuar o processo cidadão iniciado na Grécia Antiga.