ENEM 2002 - O direito de votar

Enviada em 16/06/2021

Com a promulgação da Constituição Federal de 1988 no Brasil, a soberania popular passou a ser exercida pelo voto universal, secreto e direto. Dessa maneira, a população conquistou maior representatividade e inclusão política. Sob esse viés, com ampliação da cidadania no país, ocorreram transformações coletivas, as quais auxiliaram na visibilidade de grupos menos favorecidos e na sua conquista de espaço na sociedade. Todavia, isso não foi suficiente para acabar com a marginalização cidadã. Assim, torna-se relevante analisar a importância dos avanços democráticos relacionados à atuação popular, bem como os entraves sociais que dificultam sua efetivação.

Em primeiro lugar, constata-se que a incorporação da sociedade como um todo nas eleições é bastante pertinente para o desenvolvimento político e para a busca da igualdade no país. Nesse contexto, a conquista de direitos eleitorais faz parte de um processo longo, o qual abrange uma esfera supranacional. Sob tal ótica, a Grécia Antiga é um exemplo, já que foi o berço da democracia e permitiu que indivíduos se inserissem em questões estatais, por intermédio de deliberações na Ágora, praça pública para reuniões. Desse modo, é possível notar que a participação ampla e o voto são formas de consolidar os interesses populacionais, visto que permitem que diferentes opiniões e necessidades sejam consideradas, e, como consequência, todos desfrutem dos mesmos direitos.

Por outro lado, é importante destacar a persistência da exclusão digital como um empecilho a tais avanços. Nesse âmbito, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 20% dos brasileiros não têm acesso à internet, uma das maiores veiculadoras de notícias. Por conseguinte, essas pessoas não conseguem pesquisar e conhecer melhor os candidatos em eleições, o que dificulta a escolha de representantes com os quais elas se identificam. Tal realidade favorece a máxima de Thomas Hobbes de que o homem é o lobo do homem, ou seja, ele é uma ameaça à própria espécie, já que não há esforços ou movimentação dos 80% restantes para que ocorra a democratização do acesso ao ambiente digital e a maior participação das minorais.

Observa-se, portanto, que, apesar das melhorias alcançadas, a desigualdade e a carência de informação apresentam uma ameaça à democracia brasileira. Destarte é necessário que o governo atue na criação de políticas públicas para a maior presença cidadã na construção nacional. Isso deve ser feito por meio da instalação de centro informáticos com computadores gratuitos e acesso às mídias sociais em todas as regiões do país, a fim de que os indivíduos possam obter dados concretos e formar uma opinião própria acerca de seus representantes e do cenário político do Brasil. Somente assim, será possível promover a inclusão e cumprir o que é estabelecido pela Constituição Federal de 1988.