ENEM 2002 - O direito de votar

Enviada em 29/07/2021

No ensaio filosófico “Mito da Caverna”, o pensador grego Platão, simboliza a alienação da sociedade que, assim como os indivíduos que enxergavam as sombras de uma realidade como verdade, se encontra paralisada e absorta frente a problemáticas sociais. Metáfora trágica da codição humana, esse quadro se assemelha à posição inerte da sociedade diante de problemas coletivos, ainda que detendo o poder do voto não cosegue promover as transformações sociais de que o Brasil necessita. Tal ponto é agravado pela ignorância da população ao assunto e pela nefasta polarização política extrematizada.

Nesse sentido, a concepção de “política para poucos” cristaliza a falta de participação popular na administração do país e cosequentemente a prevalencia das desigualdades sociais nesse. Desse modo, o voto popular é um eficiente método democrático, não apenas para eleger o representante do povo, mas, para durante seu processo, informar e afirmar a vontade da maioria. Dessa forma, fazendo valer as ganâncias coletivas e as necessidades por avanço no país.

Ademais, o fanatismo e o culto exarcebado à figuras políticas afasta da nação a possibilidade de um governo amplo satisfatório, uma vez que, acirra o embate de corrente ideológicas contrárias e favorece apenas uma classe social, a elite.

Portanto, compreendendo a frase do teatrólogo Augusto Boal - ser cidadão não é viver em sociedade mas transformar a sociedade em que se vive - e que o voto consciente é um imprescindível meio para tal fim, é papel das escolas trazer para dentro das aulas debates sobre democracia, voto, direitos e deveres, despertando nos jovens um maior papel ativo na política brasileira. Cabe também ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) desenvolver em conjunto com a mídia propagandas conscientizando a população sobre o voto inteligente e distribuirem durante as eleições maior espaço para novos candidatos e propostas inovadoras, disponibilizando tempo televisivo igual para todos e propondo debates sobre assuntos importantes e urgentes, utilizando para isso os horários nobres e de alta audiência. Visando assim, uma vitória tanto nas urnas quanto nas ruas.