ENEM 2003 - A violência na sociedade brasileira

Enviada em 15/06/2020

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, defende a manutenção do respeito entre os povos de uma mesma nação. No entanto, no cenário atual, observa-se justamente o contrário, quanto à questão da violência na sociedade brasileira. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude do silenciamento da mídia e da falta de empatia das pessoas, aliados à insuficiência legislativa do país.

Em primeiro plano, é necessário atentar para a impunidade presente na questão. Nessa perspectiva, a máxima de Martin Luther King de que “a injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todos o lugar” cabe perfeitamente. Desse modo, tem-se como consequência a generalização da injustiça e a prevalência do sentimento de insegurança coletiva no que tange à violência na sociedade brasileira. É evidente no Brasil o desrespeito com as vítimas da violência, principalmente porque as que denunciam não veem seus agressores sendo punidos e acabam cultivando o medo de serem novamente violentadas e de perderem a vida.

Além disso, a violência encontra terra fértil no silenciamento midiático, já que novelas, programas de televisão, filmes e séries reproduzem cenas de violência, mas dificilmente o agressor é punido, refletindo completamente a situação real, fora das telas. Essa omissão da mídia influencia diretamente no número de denúncias feitas, já que pessoas violentadas veem cenas de violência sem desfecho e, muitas vezes repetidas, e se sentem sem apoio para denunciar. É notório que a segurança da população brasileira está afetada e escassa, como evidencia uma pesquisa da Organização Mundial de Saúde, que mostra que o Brasil é 207 vezes mais violento do que países como a Alemanha e a Áustria e ocupa a 10ª posição no ranking de países mais perigosos do mundo. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em consequência disso, há a falta de empatia das pessoas, pois, para se colocar no lugar do outro é preciso deixar de olhar apenas para si. Essa liquidez que influi sobre a questão da violência na sociedade brasileira atua como um forte empecilho para sua resolução.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o MEC juntamente com o Ministério da Cidadania deve desenvolver palestras em escolas, para alunos do Ensino Médio, por meio de entrevistas com vítimas abertas do problema, bem como especialistas no assunto, como delegados e advogados, para que sejam expostas as problemáticas e devidas punições. Tais palestras devem ser webconferenciadas nas redes sociais dos ministérios, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre a violência. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe de forma mais humana para o próximo, pois como constatou Hannah Arendt “A pluralidade é a lei da Terra”.