ENEM 2005 - O trabalho infantil na realidade brasileira
Enviada em 14/06/2020
Em um episódio da série televisiva “Icarly”, a personagem Sam Puckett vende camisetas confeccionadas por um grupo de crianças dentro de uma fábrica em péssimas condições sanitárias, que exibe de maneira satírica a facilidade de promover o trabalho infantil não legalizado. De forma análoga, o emprego infantil encontra-se em grande número no Brasil, invalidando anos de luta contra tal criminalidade. Com efeito, esse evento torna-se um marco negativo no país, uma vez que apresenta a marca estrutural histórica do trabalho infantil no território e a irresponsabilidade de institutos e governantes em relação a efetividade das ações a respeito do tema.
Mormente, é indispensável destacar que a naturalização do emprego infante na história brasileira é um dos entraves para o aumento dessa transgressão. Nesse sentido, durante a Revolução Industrial, as crianças deveriam trabalhar por longas e exaustivas horas, o que construiu na narrativa histórica brasileira a subestimação do ocorrido. Esse fator foi determinante para estruturação da problemática no país, que, de maneira direta, auxilia na naturalização do crime citado e corrobora com desvalorização da luta contra a situação, de modo que inferioriza o cuidado com as crianças no Brasil. Isso revela, logo, um território antiquado e desinformado quanto as taxas de tal barbaridade, além de confirmar a desconsideração com um crime tão desprezível e vergonhoso.
Em segundo lugar, é importante ressaltar que a ineficiência das ações de proteção à criança favorece a ocorrência do problema. Dessarte, a Constituição Federal de 88 deve proteger as crianças e adolescentes contra a exploração de todas as formas de trabalho, e garantir a elas todos os direitos fundamentais. Em contrapartida, a existência desse dever não assegura sua exequibilidade, de forma que os governantes e institutos não exibem a dimensão real da questão. Em prova disso, de acordo com o Portal IG, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não apresenta as taxas de trabalho infantil há dois anos, o que coloca a população à mercê do descaso e da desinformação. Isso ratifica, assim, o regresso da população no que se refere à uma das maiores crises mundiais.
Portanto, são necessárias medidas com intuito de cessar o impasse do emprego infante. É mister que o IBGE, juntamente com os Governos Estaduais apure a fiscalização do trabalho infantil nas cidades brasileiras por meio de patrulhas realizadas por um número maior de inspetores, com a finalidade de abranger inúmeras áreas do país e, dessa forma, decrescer as taxas de tal criminalidade. Ademais, é essencial que as mídias sociais, como telejornais, busquem ressaltar a importância do cuidado e proteção às crianças, com o propósito de desestruturar o trabalho infante como situação comum. Com essas medidas, tais problemáticas poderão ser cessadas e prevenidas futuramente.