ENEM 2005 - O trabalho infantil na realidade brasileira

Enviada em 17/12/2020

No século XVIII, as grandes navegações acompanharam-se da prática da escravidão, a qual propiciou miséria à dignidade dos brasileiros. Nesse sentido, o país convive com tal realidade até os dias de hoje, sobretudo, no que diz respeito a mão de obra infantil. Assim, tal conjuntura traz à tona o maleficio da flexibilização das leis trabalhistas, a qual desregulamenta a contratação de jovens e crianças, e a problemática desigualdade socio regional.

O clássico sociólogo Max Weber defendeu a necessidade da burocratização para organizar e legitimar as relações sociais. No entanto, ao contrario do pensamento weberiano, o mundo tendencia às flexibilizações das leis trabalhistas, visto que o trabalho infantil se faz presente na contemporaneidade e desrespeita os direitos básicos de jovens e crianças. Desse modo, por serem excluídos das escolas, por exemplo, os “pequenos adultos” configuram-se como cidadãos acríticos e com baixo nível de escolaridade, ao passo em que buscam garantir o próprio sustento e o de suas famílias.

Ademais, o geografo Milton Santos dividiu o território brasileiro em “quatro Brasis”, tamanha sua extensão e peculiaridades regionais. De maneira análoga, pode-se considerar que a desigualdade socio regional contribui para o problema do trabalho infantil, uma vez que um dos maiores centros de herança escravocrata se situa no nordeste do país. Nesse sentido, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 42% de toda exploração infantil está localizada no Nordeste, de modo a evidenciar as marcas de miséria e abandono da região pelas instituições estatais e privadas, incapazes de garantir dignidade para a população.

Infere-se, portanto, que a realidade do trabalho infantil no Brasil é um problema marcante. Sendo assim, cabe às instituições jornalísticas, detentoras do meio de comunicação, evidenciar as injúrias acometidas contra os jovens e crianças pelo país. Desse modo, através de reportagens e noticiários, a sociedade passaria a cobrar dos órgãos públicos medidas que reparassem a flexibilização das leis trabalhistas e da desigualdade sócio regional. Logo, a fim de garantir dignidade à população, o Brasil não regrediria ao mal da escravidão.