ENEM 2005 - O trabalho infantil na realidade brasileira
Enviada em 16/12/2020
No período colonial do Brasil, os filhos de escravos já nasciam destinados a viver com condições de vida precária, além do trabalho que lhes seria forçado. Embora na sociedade moderna a escravidão e o trabalho infantil sejam proibidos, a realidade brasileira é de que muitas crianças são forçadas a trabalhar antes dos dezesseis anos. Logo, observa-se a falta de apoio familiar, junto a negligência governamental como obstáculos para mudança desses paradigmas.
Mormente, pode-se destacar que, principalmente nas regiões periféricas, crianças se veem na necessidade de contribuir com a renda familiar e vão em busca de trabalho precocemente. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, “Não são as crises que mudam o mundo e sim nossa reação a elas”. Nessa perspectiva, nota-se que quando as famílias estão com dificuldades financeiras, elas forçam os filhos a trabalharem até mesmo sob condições desumanas. Dessa forma, sob os preceitos de Bauman, constata-se que buscar a melhor maneira de sair de uma crise sem que os jovens sejam privados de alguns de seus direitos, como o da liberdade, é essencial na luta contra o trabalho infantil. Em segunda análise, identifica-se a falta de políticas públicas que combatam a exploração infantil como fato que contribui negativamente para homogeneização social. Segundo dados do IBGE, o Brasil tem 2,4 milhões de crianças entre 5 e 17 anos trabalhando. Baseado nesses números, evidencia-se que a falta de apoio governamental a essas crianças é um fator preponderante para que esse grupo veja no mercado de trabalho uma opção melhor que os estudos. Desse modo, vale salientar que o trabalho infantil é uma problemática antiga, que se intensificou com as Revoluções Industriais, e associado à indiferença governamental, ainda vai causar grandes impactos sociais.
Portanto, é imprescindível que ações sejam feitas para combater o trabalho infantil no Brasil. Para isso, é necessário que o Ministério da Cidadania proporcione campanhas de conscientização em locais públicos, para que a sociedade saiba da importância oferecer uma infância digna as crianças, com o fito de diminuir severamente o número de crianças que trabalham ilegalmente. Outrossim, é fundamental que o Poder Executivo melhore programas como o “Jovem Aprendiz”, por intermédio de parcerias com os comerciantes, como forma de oferecer empregos justos aos adolescentes que precisam. Assim, será possível que menos crianças tenham seus direitos explorados e deixem de trabalhar sob condições precárias.