ENEM 2005 - O trabalho infantil na realidade brasileira

Enviada em 22/12/2020

Realidade dissonante, falta de alternativas e submissão ao darwinismo social, sendo esse o contexto transpassado na obra, ‘‘Capitães da areia’’, de Jorge Amado, o qual elucida os aspectos da marginalização infanto-juvenil. Fora da narrativa, é perceptível os entraves desembocados pela desigualdade social como fator preponderante na sociedade, já que predestina os indivíduos a uma existência árdua e sem opções, acarretando na recorrência aos únicos meios de sobrevivência, como é o caso de trabalho infantil inerente ao contexto contemporâneo. Em síntese, convém desmembrar as facetas que perpetuam essa patologia social.

Sob esse circunspecto, é válido ressaltar que o trabalho infantil é um quesito pragmático e velado socialmente. Em conformidade, com o pensamento do argentino, Eduardo Galeano, é preciso conhecer a realidade para modificá-la. Não obstante, a realidade é adversa para cada indivíduo, podendo acondicioná-los a uma atmosfera atroz e sem perspectivas e, na qual abdicam a própria liberdade para garantir uma subexistência mínima. Logo, é conveniente ampliar subterfúgios que busquem lapidar as condições de uma população que sujeita-se, cotidianamente, a esta dinâmica enferma.

Outrossim, é de suma relevância pontuar que o trabalho para adolescentes e crianças, engaja-se ao fato de ausência de escolhas, sendo esse o único vínculo para auxiliar no ambiente familiar. Além disso, a música, ‘‘Mágico de Oz’’, Racionais Mc’s, esclarece os emblemas acorrentados a uma criança que nasce em uma comunidade periférica e é pobre. Desse modo, o adolescente se nutre de cobiças e adorna o mundo fantástico criado, no entanto os desejos são estilhaçados pela realidade ácida em que vive, tornando-se, inegavelmente, um subalterno ao sistema capitalista. Vide a necessidade de artifícios para modificar esse ambiente corrosivo, o qual impossibilita florescer as vontades juvenis.

Inexoravelmente, a mão de obra infantil é um celeuma estrutural e que oblitera a identidade e os sonhos dos jovens que não possuem alternativas. Urge ao Ministério da Cidadania unido com ONG’s, criem programas e centros de auxílio social, no qual busquem reintroduzir as crianças e os adolescentes em um âmbito escolar com apoio psicológico e trabalhos lúdicos para desenvolver a sociabilidade e criatividade, mas também- primordialmente- dando apoio financeiro a família para erradicar os casos de continuidade de trabalhos infantis inoculados na nação. Sendo assim, potencializando a sociedade em um local de desenvolvimento e reconhecimento, travando a permanência de capitães da areia sob a comunidade.