ENEM 2005 - O trabalho infantil na realidade brasileira
Enviada em 24/12/2020
‘‘Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo’’. O argumento de Marx leva ao pensamento de que é preciso transformar o mundo. Nessa perspectiva, ao se discutir sobre o trabalho infantil na realidade brasileira, o ponto fundamental é: a diferença de renda distribuída à população, aliada às grandes dispesas aglomeradas pela classe proletária e à pouca atratividade do meio educacional brasileiro, direciona o jovem ao mercado de trabalho o mais rápido possível. Com isso, o que se observa é a imersão precoce do público infanto-juvenil ao emprego, como forma de atribuir o sustento familiar, sendo tal atitude, um catalisador para o analfabetismo da futura geração e, consequentemente, uma desvinculação dos direitos constitucionais.
Dentro desse cenário, destaca-se a ideia de que o processo de industrialização, realizado inicialmente por Barão de Mauá, motivado por interesses burgueses, propiciou o espelhamento do comportamento operário europeu, durante a Revolução Industrial, na sociedae brasileira. A partir disso, pode-se alencar a inclusão de crianças nas atividades fabris, com o intuito de conter os gastos extremos e subordiná-las a desempenharem serviços perigosos para tal idade, influências estas, trazidas, principalmente, durante a migração europeia para o Brasil no final do século XIX. Logo, é essencial a desconstrução desse hábito ainda presente, com a atuação do Estado, tanto na fiscalização de aproveitadores, quanto na própria instrução básica desses indivíduos.
Antes de lançar avaliação precipitada sobre tal questão, cabe analisar que, em função dessa problemática circulante, há a necessidade de expor esse fato no meio social para mobilizar os cidadãos, seja em denunciar essa participação juvenil no mercado trabalhista, seja em incentivar a procurar por novos casos. Essa argumentação sustenta-se no autor realista Machado de Assis, o qual aborda em diversas obras, uma série de obstáculos sociais, de modo a tentar induzir os leitores a refletir e buscar destruí-los, visando o progresso do país. Contudo, fica claro que tais produções machadistas podem colaborar para a proteção desse grupo, com a ativa do Governo.
Portanto, é imperativo que o Ministério da Educação promova ações, como a reformulação da didática básica, com materiais e aulas sobre ética e cidadania mais aprofundados, com o fito de trazer a população jovem para este meio, de um jeito atrativo, e retirá-los da informalidade impiedosa. Ademais, a atuação da Mídia no processo de compartilhamento desses abusos, por intermédio de postagens e propagandas que alertem as pessoas a respeito dessa ilegalidade, torna-se-á um passo imprescindível para a mitigação da alienação desse injustiçados.