ENEM 2005 - O trabalho infantil na realidade brasileira
Enviada em 23/12/2020
No contexto da Revolução Industrial, diversas crianças trabalhavam nas fábricas em condições análogas à escravidão. Sob esse viés, o trabalho infantil não é uma problemática contemporânea, ela advém dos séculos anteriores e perdura até a pós-modernidade. Desse modo, a desigualdade social e a negligência governamental são adversidades que contribuem para a permanência desse problema no corpo social atual.
Em primeira análise, infere-se que a educação não é distribuida de forma homogênea na sociedade brasileira. Nesse contexto, apesar do acesso ao ensino de qualidade ser direito fundamental para o desenvolvimento da cidadania e ampliação da democracia, o conhecimento ainda encontra-se limitado para certos grupos de indivíduos. Sob essa ótica, muitas pessoas iniciam uma dupla jornada de trabalho ainda na infância, ao precisarem trabalhar e estudar ao mesmo tempo, fato que amplia a evasão escolar, visto que a necessidade de colocar alimento em casa torna-se superior à alfabetização.
Em segundo lugar, ressalta-se que, segundo a Constituição de 1988, todo cidadão tem direito à educação, à liberdade e à igualdade perante a lei. No entanto, a realidade não condiz com o que está precristo no regulamento. Apesar dos inúmeros preceitos constitucionais, o trabalho infantil continua inserido no sodalício, a dor humana virou estatística, as pessoas sensibilizam-se com os números de crianças trabalhando, mas não fazem nada para mudá-los. Dessa maneira, torna-se evidente a denúncia feita por Carlos Drummond de Andrade ao afirmar que as leis não bastam, os lírios não nascem da legislação.
Portanto, o trabalho infantil classifica-se como um desrespeito à dignidade humana. Nesse ínterim, o Estado deve promover a inclusão social através de programas para desencorajar a evasão escolar e cumprir o que está garantido na constituição, um auxílio em dinheiro que possa garantir que os jovens priorizem o conhecimento. Afinal, como declarou Kant: “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”.