ENEM 2005 - O trabalho infantil na realidade brasileira
Enviada em 08/01/2021
Nos livros da saga “Sevenwaters” da autora Juliet Marillier, são apresentados povoados da velha Irlanda e uma ilha de guerreiros, nesses locais a disciplina e divisão de tarefas são essenciais para garantir a segurança de todos, e mesmo em um ambiente cheio de perigos em que toda ajuda é bem vinda, as crianças ficam livres de trabalhos, realizando apenas atividades ideais para seu aprendizado e lazer. No entanto, no Brasil não ocorre dessa maneira, milhares de crianças são forçadas a trabalhar, pois muitas famílias não têm boas condições de vida e a única opção que têm é de iniciar a vida laboral cedo e abdicar de vivências essenciais para um bom desenvolvimento na infância. Nesse sentido, observa-se a configuração de um problema de contornos específicos que emerge devido a insuficiência de leis, além da ineficácia da mídia em trazer conteúdo relevante sobre o tema.
Deve-se pontuar, de início, que a insuficiência de leis configura-se como grave empecilho no que diz respeito ao trabalho infantil na realidade brasileira. Segundo o filósofo, Hegel, o estado é o pai da população e tem o dever de cuidar de seu filhos, no entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa obrigação, pois apesar de o estatuto da criança e do adolescente afirmar que um dos responsáveis por prover dignidade e direitos a essas crianças é o Poder Público, na prática isso não ocorre e milhares de crianças seguem em situação de miséria.
Além disso, outra dificuldade enfrentada é a ineficácia da mídia em trazer conteúdo relevante sobre o tema. Nesse sentido, o filósofo alemão, Habermas, traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação, desse modo, para que uma questão como a do trabalho infantil seja resolvida, faz-se necessário debater sobre. Entretanto, nota-se uma falha no que se refere a essa questão, que mesmo não sendo totalmente silenciada, dispõe de uma propagação de informações ineficientes na resolução do problema.
Logo, medidas são necessárias para alterar esse cenário. As escolas, em parceira com a prefeitura, devem promover um espaço para rodas de conversa e debate sobre o trabalho infantil na realidade brasileira. Estes eventos devem ocorrer no período extraclasse, e contar com a participação de professores e convidados especialistas no assunto. Além disso, tais eventos não precisam se limitar aos alunos, mas serem abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam as questões relativas a esse assunto e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.