ENEM 2005 - O trabalho infantil na realidade brasileira
Enviada em 11/01/2021
Em seu projeto textual ‘‘Falanstério’’, do século XIX, o filósofo Charles Fourier propõe uma sociedade perfeita. Nela, pontua-se ausência de conflitos e de adversidades, o que, desde então, vem inspirando civilizações ocidentais. Contudo, ao analisar o trabalho infantil na realidade brasileira, percebe-se que tal visão não se consolidou. Assim, faz-se necessário descorrer sobre os fatores políticos e sociais que envolvem essa questão.
Diante desses fatores, cabe analisar a condição financeira do país. É fato que o Brasil é um país extremamente desigual, o que torna em varios momentos, inevitável a presença dos mais jovens no mercado de trabalho. De acordo com o IBGE, mais de 50 milhões de indivíduos estão abaixo da linha pobreza, várias dessas são crianças, as quais são forçadas a contribuirem financeiramente em sua família para ajudar nas despesas, contrariando o Estatuto da Criança e do Adolescente, que proibe tal atividade de forma veemente. Por conseguinte, os estudos, que deveria ser prioridade por ser a melhor maneira de se ascender socialmente, conforme diz Paulo Freire, torna-se inviável, comprometendo o futuro desses cidadãos e dificultando mobilidade de renda dos mesmos, que geralmente são explorados boa parte da vida de forma exacerbada. Desse modo, o país se distancia do proposto por Charles Fourier.
Além disso, vale salientar a cultura do brasileiro. Nos séculos passados, com o Brasil extremamente ruralizado, crianças era consideradas mão de obra, tal fato colocava-os em situações duras. Nesse contexto, ainda que atualmente a urbanização tenha sido expandida, muitos daqueles que hoje são adultos foram crianças que precisaram trabalhar em idades baixas pois havia esse pensamento na população. Nesse prisma, tal visão se enraizou em diversos tupiniquins, como o Presidente da República, o qual disse que o trabalho dignifica o homem, além de que se tornou uma pessoa melhor por ter passado pela experiência supracitada. Com isso, guris são obrigados a trabalhar abusivamente e por exigir esforço físico em diversos casos, as vitimas passam a conviver com problemas de saúde como lesões na coluna, que são danosos ao crescimento.
Portanto, é notória a gravidade do trabalho infantil na realidade brasileira. Assim, cabe ao ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, órgão responsável por cuidado as minorias no país, em parcerias com ONGs, promovam fiscalização em potenciais locais de exploração dos mais jovens, tirando-os dessas práticas danosas, de modo que com verbas oriundas de operações judiciais, como a Lava Jato, seja liberada uma renda básica a essas famílias necessitadas. Logo, haverá mais crianças priorizando o estudo, a saúde e a nação aproximar-se-à do proposto em Falanstério.