ENEM 2005 - O trabalho infantil na realidade brasileira

Enviada em 28/12/2020

O uso de crianças para apresentar o programa “Bom dia e Cia”, no SBT, trouxe uma representação idealizada do trabalho de menores, uma vez que não havia uso da força física mas,  apenas a diversão. No entanto, a realidade brasileira do trabalho infantil é bem diferente, já que a maioria dos empregos informais de crianças e adolescentes ocorre em situações exploratórias e desregulamentadas. Diante disso, é válido ressaltar as origens dessa problemática, como a situação financeira que o Brasil atravessa e a banalização desse tema.

Em primeiro plano, é importante salientar que o Brasil passa, desde 2012, por uma grave crise econômica. Nesse intuito, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego alcançou 15%, enquanto o PIB retraiu quase 5%. Desse modo, para superar as condições que o país enfrenta, muitas famílias recorrem ao emprego informal e, já que ele não apresenta relação com os direitos humanos, utilizam da força infantil. Como consequência, de modo invedido, as crianças são obrigadas a trabalhar em vez de se dedicarem aos estudos ou às brincadeiras.

Ademais, a falta de perspectiva crítica do corpo social para problematizar essa situação também colabora para a permanência desse entrave. Nesse sentido, de acordo com o a teoria da “Banalidade do Mal”, de Hannah Arendt, “o mal passa despercebido na sociedade quando os indivíduos normalizam tais costumes”. De modo análogo, por causa desse pensamento da população, que vulgariza o uso de menores nos serviços, a demanda pelas crianças continua presente na realidade brasileira. Por isso, a vida de muitos jovens são afetadas, uma vez que eles, desde cedo, são introduzidos nesse cenário.

Destarte, é necessário medidas para que essa estruturação social do Brasil seja modificada. Para isso, o Ministério da Cidadania, em parceria com o Ministério da Educação, deve criar um projeto comunitário, voltado à população de baixa renda, por medio de bolsas escolares e auxílios financeiros, de modo similar ao tradicional “Bolsa Família”, porém, com o intuito de dar sustento e apoio aos jovens carentes para que não ocorra a evasão escolar e a realização do trabalho infantil. Sendo assim, a condição de exploração às crianças diminuirá e as necessidades básicas das famílias serão garantidas. Então, a divergência encontrada entre os menores na televisão e na vida real será apenas um fato do passado.