ENEM 2005 - O trabalho infantil na realidade brasileira

Enviada em 29/12/2020

Sêneca, pensador do Império Romano, acreditava que apenas as percepções das pessoas sobre o meio eram responsáveis por alterar o estado de tranquilidade mental da sociedade. Posto isso, contesta-se a notoriedade populacional diante da presença constante de crianças no âmbito laboral. Com efeito, reestruturações educacionais e sociais são medidas impostas como necessárias para que o trabalho infantil na realidade brasileira seja combatido.

Inicialmente, é válido ressaltar o impacto do desconhecimento sobre a Carta Magna no cotidiano do cidadão brasileiro como fator determinante para a manutenção do trabalho infantil. De acordo com uma pesquisa feita pelo “Data Senado”, cerca de 50% dos entrevistados admitiram saber nada ou muito pouco acerca da Constituição Federal proclamada em 1988. Desse modo, é possível constatar que o conhecimento sobre os direitos ainda é algo impopular e exclusivo. Por isso, a consequência de tal fato pode acarretar não só a permanência do ideal de trabalho infantil como algo legal e benéfico para a produção familiar, mas também a crescente influência aos demais herdeiros da comunidade, os quais, por laicidade, acreditam que a idade não é algo a ser considerado para atuar no mercado. Então, propõe-se a importância de se aplicar o ensino à Constituição em sala de aula nas instituições públicas e privadas.

Outrossim, é imprescíndivel mencionar a contribuição da alta concentração de renda no Brasil para a atuação de crianças no mercado de trabalho. Segundo o “El país”, portal de notícias, quase 1% da população brasileira detém mais de 30% da economia nacional. Dessa maneira, conclui-se o quão a desigualdade extrema pode alienar. Afinal, a parcela marginalizada da sociedade pode ter a inclusão de um membro, por mais que jovem, no trabalho como uma oportunidade de ter a renda familiar maior e, consequentemente, a chance de melhor qualidade de vida, que, infelizmente, não é proporcionada pelo Governo, visto o alarmante estatístico.

Portanto, evidenciam-se condutas para que o trabalho infantil não seja mais uma realidade no Brasil. Por conseguinte, o Ministério da Educação deve, por meio de uma reunião com os governadores estaduais, promover a inserção do ensino à Constituição e aos direitos da cidadania em currículo escolar, de modo unânime em todas as regiões brasileiras, com aulas de professores da área de ciências humanas sobre a crença democrática, a conquista da justiça e o poder da nação, a fim de tornar os estudantes conscientes dos deveres do Estado e, assim, agentes ativos nas causas sociais vigentes. Dessa forma, com a revolução de ideias e a ruptura da alienação, a percepção, valorizada pelo pensador Sêneca, será notável de mudança.