ENEM 2005 - O trabalho infantil na realidade brasileira

Enviada em 30/12/2020

De acordo com Aristóteles, “a base da sociedade é a justiça”. Não obstante, as recorrentes dificuldades encontradas para diminuir o trabalho infantil no Brasil revela-se como uma injustiça, haja vista que, majoritariamente, os jovens são “forçados” a ingressarem nessa vida, pois necessitam comprar itens básicos para a sobrevivência, como a alimentação. Com isso, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude do legado histórico e da falta de investimentos nas escolas públicas.

Em primeiro plano, pode-se apontar a história do Brasil como um emepcilho à consolidação de uma redução na taxa do trabalho infantil. Segundo Claude Lévi-Strauss, só é possível compreender uma sociedade atual estudando o seu passado. Nesse sentido, faz-se importante romper com as raízes da antiguidade, uma vez que, desde a formação do Brasil, o trabalho infantil era visto como a única “solução” com um “retorno rápido”, e assim, muitos ingressavam nessa rotina diária do trabalho. Analogamente, no mundo hodierno, esse pensamento veio a se “solidificar”, e infelizmente, como muitos dos jovens que ainda permancem nas escolas não conseguem conciliar o trabalho com o estudo, acabam por neglienciar a escola, e isso torna a resolução do problema uma utopia.

Outrossim, a escassa taxa de investimentos ainda é um grave entrave para a resolução da questão. Conforme dados da Fundação Getúlio Vargas, a taxa de investimentos no Brasil, somando setores públicos e privados, está no seu menor nível dos últimos 50 anos. Nesse conxtexto, percebe-se que para resolver um problema de questão pública, como o trabalho infantil, é necessário investimento massivo, uma vez que, com a inserção dessas verbas, as escolas conseguiriam evitar a evasão escolar. Desse jeito, é notório que, a grande maioria das escolas públicas não tem renda suficiente para itens básicos, como a merenda escolar, e esse poderia ser um dos fatores que garantiriam a permanência de muitos jovens nas escolas, e assim como não há incentivos dentros desses âmbitos, os alunos começam a desenvolver ideias equivocadas, como caracterizar a educação como “desnecessária”, e isso corrobora para que muitas crianças começem a se “adultizar”, “solidificando” ainda mais o problema.

Portanto, para “excluir” o trabalho infantil imbuído no Brasil, faz-se peremptório que o Ministério Público Federal, órgão que regula a justiça em âmbito nacional, através do Tribunal de Contas, fiscalize o real direcionamente das verbas, e enviem esse investimento para áreas que realmente importem. Desse modo, objetiva-se que com as verbas necessárias nas escolas, haverá além dos itens básicos, um grande incentivo para que esses jovens adentrem no mundo da educação, e evitem o do trabalho.