ENEM 2005 - O trabalho infantil na realidade brasileira
Enviada em 05/01/2021
No livro “Geografia do Brasil”, do autor Jurandyr Ross, a urbanização desorganizada que ocorreu no Brasil, proporciona, hodiernamente, problemas como a pobreza e a desigualdade social. Dessa forma, infortúnios como estes, fazem com que famílias se submetem a dispor seus filhos ao trabalho infantil como uma das formas de aumentar a renda dentro de casa. Neste cenário, sabe-se que há, no país, recursos para modificar esse contexto, mas, a negligência governamental e omissão da sociedade, impedem que isso aconteça na prática. Desse modo, é preciso que sejam resolvidos os imbróglios que envolvem essa temática, para que seja desfeita a visão de desorganização no livro supracitado.
A princípio, vale destacar que o Estado cria, na coletividade, uma realidade de anomia social, em que há ausência de medidas, realmente, eficazes. Entretanto, o sociólogo Émile Durkheim defende que o papel do governo é estabelecer uma harmonia na população, pois esta é como um corpo humano que depende de diversos fatores para funcionar perfeitamente. Neste sentido, seria dever de todo o poder público fornecer políticas assistencialistas para as famílias, as quais subordinam seus filhos à exploração do trabalho. Porém, na realidade, o que acontece distorce a defesa do pensador, visto que milhões de crianças são privadas de gozar da sua infância para sustentar seu lar.
Ademais, é indubitável ressaltar a omissão da sociedade como contribuinte da perpetuação da problemática. Nesta perspectiva, Hannah Arendt argumenta na obra “A banalidade do mal” que as pessoas agem de modo indiferente quanto à resolução dos infortúnios por causa da ausência de importância. Dessa maneira, é possível compreender que a visão dessa filósofa cabe na questão de passividade social, uma vez que os indivíduos não estão dando a devida atenção ao cenário do trabalho infantil, contribuindo para a sua continuação no coletivo. Por essa razão, vê-se a necessidade do engajamento da população para a transformação da realidade brasileira, posto que a juventude não é responsável por corrigir erros de falta de organização e ineficiência estatal.
Portanto, medidas são necessárias para modificar essa situação hodierna. Logo, o Ministério da Educação deve criar, por meio das escolas, o programa “Infância por Direito” o qual será responsável por monitorar a frequência dos alunos e ajudar as famílias se houver dificuldades, com o apoio da sociedade, e, para isso, será criado um conjunto de atividades lúdicas remuneradas como concurso de poesias, desenhos, danças e outros; a fim de diminuir, com o alicerce de todos, o índice de exploração do trabalho infantil e cativar, ainda mais, as crianças a frequentar a escola e perceber que o agente transformador dos problemas é a educação. Posto isto, o corpo social tornar-se-à saudável, tal qual um corpo humano em perfeito funcionamento, corrigindo a desordem histórica de urbanização.