ENEM 2005 - O trabalho infantil na realidade brasileira

Enviada em 06/01/2021

A exploração de crianças por meio do trabalho infantil não é novidade no mundo, e muito menos no Brasil. No inicio do século XVI, durante a escravidão no Brasil as crianças negras sempre foram exploradas nas lavouras e trabalhos braçais. Mais adiante, já no século XIX durante a Revolução Industrial, também era comum a presença de crianças no ambiente de trabalho. Em ambos os casos, as crianças eram submetidas a trabalhos extremamente exaustivos e insalubres, muitas vezes se machucando, adoecendo e até mesmo vindo a óbito. Essa situação se estende até os dias atuais,  havendo muitas crianças brasileiras que ainda são submetidas ao trabalho infantil, sendo essa situação decorrente da precariedade em que vivem as famílias dessas crianças e que ocasiona, frequentemente, abandono escolar e privação do direito dessas crianças à sua própria infância.

Primeiramente, é preciso reconhecer que a principal causa do trabalho infantil no Brasil é a pobreza de suas famílias. Estas, por estarem em situações precárias não vêem outra alternativa senão a iniciação de seus filhos no trabalho, como forma de ajuda financeira para a família e “dignificação” da criança como pessoa, baseadas em seus valores morais de que o trabalho dignifica, honestifica e honra. Isso se ilustra claramente na quantidade de crianças vendendo produtos em semáfaros, catando latinhas, e realizando trabalhos braçais no ambiente rural e urbano, que totalizam 2.3 milhões de crianças segundo o Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI).

Consequentemente, o trabalho toma um tempo exarcebado do dia e da vida da criança, não sobrando tempo para  a sua infância e nem mesmo tempo para a escola, ocasionando evasão escolar e  aumento do analfabetismo da população. É possivel visualizar isso claramente nos índices de evasão escolar registrados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostram que no ano de 2019 51,2% da população brasileira não concluiu o ensino médio, e que 39% dessas pessoas abandonaram os estudos devido à necessidade de trabalhar.

Tendo isso em vista, é possível afirmar que a partir da situação precária de parte das famílias brasileiras, ocorre uma maior incidência do trabalho infântil, resultando em evasão escolar e problemas para a infância e futuro das crianças. Por isso, se faz necessário que o governo brasileiro, por meio da Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, juntamente ao Ministério da Cidadania reforcem os programas de auxílio as famílias carentes, tendo como auxiliares assistentes sociais para o reconhecimento e cadastro de famílias carentes em programas como a Bolsa Família e no CRAS, além de fazer um acompanhamento mensal dessas famílias, visando a melhora de vida da família de maneira a extinguir a necessidade do trabalho infantil e o mantimento das crianças nas escolas.