ENEM 2005 - O trabalho infantil na realidade brasileira

Enviada em 08/01/2021

Nação de sonhos

Com o advento da Revolução Industrial no século XVIII, não somente a maquinofatura surgiu, como que, para tal, milhares de crianças tiveram de trabalhar nessas fábricas. Não obstante, hodiernamente, o trabalho infantil ainda encontra-se presente na realidade brasileira, seja para complementação da renda familiar; seja pela fuga da marginalização infantil e juvenil.

A priori, o Estatuto da Criança e do Adolescente assegura o desenvolvimento natural e tranquilo, sem trabalho precoce. No entanto, esse direito não é verificado no cotidiano. Tal como, crianças que se veem forçadas a trabalhar para ajudar na renda familiar, pois falta capital, até mesmo, para  a alimentação. Outrossim, além de prejudicar o crescimento infantil, o trabalho implica o fim dos sonhos da criança - que fica impedida de “ser o que quiser”, como Clarice Lispector defende em um de seus poemas. Desse modo, a inserção precoce no mercado de trabalho não somente aniquila os direitos de escolha da criança, como também favorece a evasão escolar e, por conseguinte, a formação de adultos frustrados e sem a perspectiva de uma vida mais pacata.

A posteriori, há ainda, o pensamento popular a respeito da dignificação do trabalho, no qual ao inserir a criança no mundo trabalhista, aprenderá a moral e ética. Essa falsa concepção conecta-se ao medo parental acerca das influências negativas sobre as crianças. Conforme Platão, não é suficiente apenas viver, mas sim, necessário viver bem, o que torna-se impossível quando as únicas alternativas são um emprego forçado ou a união com infratores da lei. Ademais, todo trabalho precoce deixa cicatrizes psicológicas e/ou físicas - tema explorado na série norte americana Supernatural pelo irmão mais velho -, as quais influenciam e perduram por toda a vida do indivíduo. Dessa forma, o trabalho infantil, além de provocar a evasão escolar, contribui com a formação da mão de obra barata e sem especialização que, futuramente, pode ser alienada facilmente.

Portanto, na conjuntura atual, é necessário que o Governo Federal, através do Ministério da Educação, oferte o estudo em turno integral e com auxílio financeiro àqueles em situação vulnerável. Além disso, cabe aos estados e municípios a organização das instituições para receber os alunos, através do apoio financeiro da esfera privada, a fim de, finalmente, permitir que o único esforço das crianças seja dar asas aos seus sonhos.